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Governo angolano procura 4,5 mil milhões de USD para financiar ligação ferroviária à Zâmbia

O Governo angolano quer captar até 4,5 mil milhões de dólares para financiar a ligação ferroviária à Zâmbia, segundo foi anunciado ontem, quarta-feira, dia 29, pelo ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu, à margem da 3.ª Cimeira sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-Estruturas em África, que decorre até amanhã, sexta-feira, em Luanda.

“Estamos a trabalhar para fechar o projecto de ligação à Zâmbia e é por isso que esta cimeira é muito importante, porque estão aqui os diferentes parceiros que nos podem ajudar a fechar o pacote de financiamento necessário para podermos avançar com o mesmo”, afirmou o governante, estimando o investimento total em 4,5 mil milhões de dólares.

O ministro falava aos jornalistas quando anunciou que a primeira pedra deverá ser lançada em 2026 e que há “várias partes interessadas”, incluindo iniciativas europeias, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e entidades do Egipto, entre outros parceiros.

Ricardo d’Abreu, citado pela agência Lusa, destacou a necessidade de “encontrar soluções que permitam reduzir o défice de infra-estruturas do continente africano”, salientando a relevância de reunir “diferentes intervenientes, sejam instituições financeiras de desenvolvimento, privadas ou investidores interessados em assegurar o financiamento e o investimento em projectos de infra-estruturas críticas para o desenvolvimento do continente.”

Em Angola, sublinhou, este processo tem sido conduzido através de modelos de concessão, apontando o Corredor do Lobito como “o projecto mais emblemático no sector dos transportes”, no qual o consórcio Lobito Atlantic Railway (LAR) formado pela Mota-Engil, Trafigura e Vecturis já investiu cerca de 300 milhões de dólares.

Crescente interesse do sector privado

De acordo com o ministro, o Governo tem constatado “crescente interesse do sector privado” em investir nas infra-estruturas de transporte, incluindo projectos greenfield (investimentos construídos de raiz, num terreno ou área onde não existe qualquer infra-estrutura prévia), como a futura ligação ferroviária entre Angola e Zâmbia.

“Aquilo que temos sentido é que há muito mais interesse em projectos transnacionais, que consigam ligar o continente nesta lógica de integração e cooperação. Mas isso acarreta também outros desafios, que passam por garantirmos a harmonização regulatória e o mesmo sentido de prioridade em relação aos projectos”, referiu.

O responsável político adiantou ainda que o Executivo está a preparar mecanismos para cobrir o défice de viabilidade económica destes projectos, muitos dos quais “sem histórico de fluxo de passageiros ou mercadorias”, anunciando a criação de um fundo destinado a mitigar o risco inicial e desafiando as organizações de desenvolvimento e outros fundos existentes “a fazerem parte dessa solução.”

Refira-se que a ligação ferroviária entre Angola e Zâmbia, através do Corredor do Lobito, foi projectada para ter aproximadamente 800 quilómetros de extensão, dos quais 300 em território angolano.

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