
Ministro de Estado assegura que o sector marítimo reúne condições para ser dos pilares da diversificação económica
O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, assegurou, ontem, no Namibe, que Angola reúne condições necessárias para afirmar o sector marítimo como um dos pilares da diversificação económica, graças aos cerca de 1.650 quilómetro de costa atlântica, aos portos comerciais estratégicos e ao vasto potencial pesqueiro, energético e logístico.
Discursando na abertura da Conferência Nacional sobre o Trabalho Marítimo, que decorreu em Moçâmedes, o ministro de Estado reconheceu que o sector continua aquém das potencialidades que o país oferece, mas tem registado uma evolução positiva, marcada pela modernização das infra-estruturas portuárias, pelo aumento do volume de carga movimentada e pelo crescimento da actividade pesqueira.
José de Lima Massano, citado pelo jornal Opaís, referiu que estes avanços acompanham o desempenho recente da economia nacional, que registou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,32 por cento no primeiro trimestre deste ano, enquanto o sector não petrolífero expandiu-se acima de seis por cento.
Segundo o ministro de Estado, actividades como a construção e reparação naval, fabrico de equipamentos, peças e acessórios, artefactos de pesca e os serviços especializados permanecem pouco desenvolvidas, mantendo o país excessivamente dependente da importação de equipamentos e limita a geração de valor acrescentado, criação de emprego qualificado e a capacidade de inovação.
“Este é um desafio nacional que devemos assumir com ambição, visão estratégica e sentido de futuro. Não basta explorar os recursos do mar, é necessário transformar esse potencial em indústria, inovação e conhecimento, assim como também abrem novas oportunidades para os jovens angolanos participarem activamente na transformação económica do país”, considera o ministro de Estado.
O governante defendeu o reforço da formação e certificação dos profissionais marítimos, promoção da aquicultura, estímulo à investigação científica e a criação de condições para o surgimento de novos negócios ligados à economia azul.
José de Lima Massamo considera que a expansão do sector exige, igualmente, o desenvolvimento de toda a cadeia de valor marítima, para o efeito, é preciso construir uma verdadeira indústria marítima nacional, capaz de contribuir, de forma crescente, para a criação de riqueza, emprego e prosperidade dos angolanos.
O governante considera, ainda, que a valorização do trabalho marítimo deve ser encarada não apenas numa perspectiva laboral, mas também como uma questão económica, industrial, tecnológica e de soberania nacional.
O ministro de Estado destacou que a recente entrada em vigor, em Angola, da Convenção do Trabalho Marítimo de 2006 (MLC 2006), é um instrumento que reforça a protecção dos trabalhadores do sector e alinha o país com os mais elevados padrões internacionais de qualificação profissional, segurança e dignidade laboral.
“Neste Dia Internacional do Trabalho Marítimo rendemos homenagem a todos os profissionais do mar pelo seu contributo para a economia e para o funcionamento das nossas sociedades”, encorajou.