
Projecto financiado pelo Governo de Angola e BAD elogiado no ‘The Governors’ Digest 2026’
Angola encontra-se num ponto de viragem na sua trajectória de desenvolvimento, ao apostar na educação, ciência e inovação como pilares centrais para reduzir a dependência do petróleo e promover a diversificação económica.
Estas prioridades são destacadas no documento ‘The Governors’ Digest 2026’ do Banco Africano de Desenvolvimento, que sublinha “o papel estratégico do investimento em capital humano, particularmente em mulheres e raparigas, como motor de crescimento sustentável no continente africano.”
Neste contexto, o ‘Science and Technology Development Project’ (STDP), um programa de 100 milhões de dólares financiado pelo Governo de Angola e pelo Banco Africano de Desenvolvimento, está a contribuir para a formação de uma nova geração de cientistas, engenheiros e investigadores.
O projecto aposta na educação científica como instrumento de transformação estrutural da economia, promovendo a participação feminina em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).
“No ensino superior, o programa já apoiou 161 estudantes angolanos, colocados em instituições como a Universidade de Lisboa e a Universidade de São Paulo, com 21% de participação feminina, número que o projecto pretende reforçar nas próximas fases”, lê-se no documento.
O impacto da iniciativa estende-se igualmente ao ensino secundário, através de bolsas dirigidas a raparigas em situação de vulnerabilidade, especialmente em regiões com baixa participação feminina nas áreas científicas.
O ‘The Governors’ Digest 2026’ revela que “entre 2019 e 2024, foram apoiadas 1204 estudantes, número muito acima da meta inicial de 125 beneficiárias, evidenciando a forte adesão ao programa.”
Uma avaliação recente indica que 82% das beneficiárias melhoraram a sua segurança alimentar, 97% passaram a ter melhor acesso a materiais escolares e 40,2% prosseguiram para o ensino superior, demonstrando efeitos que ultrapassam o contexto escolar.
Segundo uma das participantes, “a bolsa não nos ajudou apenas a estudar, ajudou-nos a acreditar em nós próprias.”
O investimento inclui também o reforço das infra-estruturas científicas, com a instalação de 54 laboratórios em 18 escolas secundárias, a formação de mais de 1350 professores e técnicos e o financiamento de 73 projectos de investigação, dos quais 31,5% são liderados por mulheres.
De acordo com o ‘The Governors’ Digest 2026’, a aposta na educação feminina em ciência não representa apenas uma questão de equidade, mas um dos instrumentos mais eficazes para acelerar a diversificação económica em África.
O documento sublinha ainda que o investimento em mulheres na ciência constitui um dos principais motores para transformar o potencial demográfico africano em crescimento económico sustentável e inclusivo.