
Eclipse solar de amanhã poderá ser observado por quase mil milhões de pessoas mas Angola fica de fora do fenómeno
Amanhã, dia 12 de Agosto de 2026, a partir das 15h34 GMT, a sombra da Lua atravessará rapidamente o Árctico, passando pela Gronelândia, Islândia e Espanha, Portugal, ocultando o Sol durante até dois minutos e 18 segundos.
O eclipse de amanhã será o primeiro eclipse solar total observável na Europa continental desde 1999, com cerca de 15 milhões de pessoas, sobretudo em Espanha, a viverem na faixa de totalidade.
Um eclipse parcial será visível em grande parte da Europa Ocidental, em algumas zonas do Noroeste de África e numa pequena parte dos Estados Unidos. No total, cerca de 980 milhões de pessoas, quase uma em cada oito em todo o mundo, poderão ver o Sol parcialmente ocultado. Em Angola não estará na zona de visibilidade deste eclipse. Nos chamados PALOP’s não haverá um eclipse total, mas somente parcial. Em Cabo Verde, na Praia a ocultação será de 43% e no Mindelo (ilha de São Vicente) atingirá 46%. Na Guiné-Bissau haverá uma ocultação de 42%. São Tomé e Príncipe e Moçambique, tal como em Angola, não haverá nada para observar.
Importa referir que nenhum país africano terá eclipse total a 12 de Agosto. A faixa de totalidade atravessa sobretudo a Gronelândia, Islândia, Espanha e uma pequena parte de Portugal. Isto significa que sete em cada oito pessoas observarão um céu normal na quarta-feira.
O que acontece durante um eclipse?
Um eclipse ocorre quando um corpo celeste passa para a sombra de outro.
Num eclipse lunar, a sombra da Terra projecta-se sobre a Lua. Num eclipse solar, a Lua passa entre a Terra e o Sol e bloqueia a sua luz de uma de quatro formas: parcial, anular, total ou híbrida.
Parcial – A Lua cobre apenas uma parte do Sol, ocultando uma das suas extremidades.
Total – A Lua cobre completamente o Sol, transformando o dia numa espécie de crepúsculo e permitindo observar a coroa, a ténue atmosfera exterior do Sol.
Anular – A Lua encontra-se demasiado afastada da Terra para cobrir totalmente o Sol, deixando visível um anel luminoso.
Híbrido – É o tipo mais raro, alternando entre eclipse total e anular ao longo da sua trajectória.
O Sol é cerca de 400 vezes mais largo do que a Lua e encontra-se aproximadamente 400 vezes mais distante da Terra. Por isso, vistos da Terra, os dois discos parecem ter praticamente o mesmo tamanho. É esta coincidência que torna possíveis os eclipses solares totais.
Com que frequência ocorrem eclipses solares?
De acordo com a NASA, todos os anos são observados na Terra entre dois e cinco eclipses solares. Esta contagem inclui os quatro tipos: parciais, anulares, totais e híbridos.
Os eclipses solares totais são muito menos frequentes, ocorrendo, em média, 66 vezes por século, ou aproximadamente uma vez a cada ano e meio.
De todos os eclipses solares, cerca de um terço são parciais, outro terço são anulares, pouco mais de um quarto são totais e cerca de 5% são híbridos.
Que países vão observar um eclipse solar total?
Amanhã, cerca de 15 milhões de pessoas em Espanha, Islândia e em partes da Gronelândia, Rússia e Portugal estarão dentro da faixa de totalidade, onde o Sol será completamente ocultado.
No norte e leste de Espanha, que terão condições privilegiadas de observação, as cidades de Leão, Valladolid, Saragoça, Teruel e Valência encontram-se dentro da faixa de totalidade. A totalidade começará aproximadamente às 18h27 GMT no oeste de Espanha (20h27, hora local) e durará até 110 segundos, dependendo da localização exacta. As populosas cidades de Madrid e Barcelona ficam ligeiramente fora desta faixa, mas os observadores nessas cidades poderão ainda assistir a uma ocultação de mais de 99% do Sol. Em Portugal o eclipse total será observável numa zona de Trás-os-Montes, junto à fronteira com Espanha.
Que países vão observar um eclipse parcial?
O eclipse parcial será visível numa área muito mais extensa. A maior parte da Europa terá um eclipse parcial profundo ao final da tarde, com o Sol a pôr-se ainda parcialmente ocultado em muitos locais.
Em Paris, cerca de 92% do Sol ficará ocultado; em Londres, 91%; e em Berlim, 85%. Na maioria das cidades europeias situadas mais a leste, o Sol põe-se antes de o eclipse atingir o seu máximo, o que significa que a fase de maior ocultação nunca será observada no céu. O Norte de África enfrentará uma situação semelhante. Argel verá cerca de 98% do Sol ocultado e Casablanca aproximadamente 87%, em ambos os casos com o Sol a pôr-se antes do final do eclipse.
Do outro lado do Atlântico, não haverá o problema do pôr-do-sol, uma vez que o eclipse ocorrerá durante a manhã e a tarde. No entanto, a América do Norte encontra-se muito afastada da faixa de totalidade e terá apenas uma pequena parte do Sol ocultada.
No Canadá, a cidade de St. John’s, no Nordeste, terá cerca de 53% de cobertura, percentagem que desce para 18% em Montreal e 8% em Toronto.
Nos Estados Unidos, partes do Alasca terão o eclipse mais profundo do país, com cerca de 37% de ocultação, enquanto o resto do território observará apenas uma pequena ocultação: cerca de 28% no Nordeste do Maine, descendo para 10% em Nova Iorque e praticamente nada no Midwest.
Quando será o próximo eclipse solar?
O próximo eclipse solar total ocorrerá a 2 de Agosto de 2027, atravessando o sul de Espanha, o Norte de África e o Iémen.