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Vozinha segura empate contra a Espanha e Cabo Verde ganha uma vozona mundo fora

O selecionador cabo-verdiano, Bubista, estudou bem a missão e os atletas corresponderam de forma exímia, com destaque para o guarda-redes, Vozinha, que esteve imparável. No primeiro jogo da sua história num Campeonato do Mundo, Cabo-Verde conseguiu empatar a zero com Espanha, campeã do mundo em 2010, na África do Sul.

Como era de esperar, a selecção espanhola, sem Yamal no ‘onze’ inicial, assumiu-se mais pressionante desde o início da partida, o que obrigou a equipa insular a manter o rigor defensivo.

E foi conseguindo fazê-lo de forma organizada. Os jogadores da ‘La Roja’ bem tentaram, mas não conseguiram penetrar o bloco defensivo dos tubarões azuis.

Aliás, o primeiro remate do encontro surgiu apenas aos 15 minutos por intermédio de Pedri, que tentou a sorte de longe, mas viu o guardião Vozinha segurou com tranquilidade.

O guarda-redes que jogou no GD Chaves, em Portugal, nas duas últimas temporadas mostrou-se a grande nível e, aos 40, fez a primeira grande defesa do encontro, após novo remate de Pedri.

Aos 40 minutos, novo grande momento do homem das luvas. Ferran Torres disparou à barra e, na recarga, Oyarzabal cabeceou para defesa esforçada de Vozinha.

Mas, ainda antes do apito para o final da primeira-parte, o guardião voltou a ser destaque ao defender um remate rasteiro de Ferran Torres.

Vozinha continuou a ser herói

A segunda-parte seguiu a tendência da primeira e a Espanha continuou a sufocar, mas, mais uma vez, os cabo-verdianos não se amedrontaram e frustraram as muitas tentativas de os atletas espanhóis chegarem ao golo.

A ‘La Roja’, apesar de ter mais posse de bola, continuou sem conseguir furar a muralha dos ‘Tubarões Azuis’ e, quando o conseguiu, Vozinha tranquilizou os companheiros de equipa.

Lamine Yamal entrou em campo ao minuto 71, o que contribuiu para o sufoco da equipa cabo-verdiana, mas os “alunos” de Bubista foram heróis e resistiram até ao apito final.

Estreia de sonho. Pouco mais se podia pedir à selecção de Cabo Verde nesta estreia em Mundiais.

A reacção ao empate pelo mundo

O empate de estreante Cabo Verde ecoou na imprensa de todo o mundo, chocando o mundo do futebol. Se em Cabo Verde houve e na diáspora houve festa rija festa, na imprensa internacional multiplicaram-se os elogios aos africanos e as críticas à exibição espanhola.

Em Espanha, o tom foi particularmente duro. A ‘Marca’ classificou o resultado como um “desastre”, considerando que a equipa de Luis de la Fuente se apresentou “sem futebol nem

recursos” perante “o milagre protagonizado por Cabo Verde.” “Foi como voltar ao jogo contra Marrocos no Qatar. Ou pior. Porque foi contra Cabo Verde, possivelmente a selecção mais limitada do Mundial”, escreveu o periódico.

Também o ‘AS’ falou num autêntico “petardazo” – fracasso retumbante – e escreveu que a selecção espanhola “naufragou” na estreia. O diário madrileno destacou uma equipa “sem alma” e incapaz de justificar o estatuto de favorita à conquista do torneio.

Em Inglaterra, a reacção foi diferente. A “BBC” considerou tratar-se da “maior história do Mundial até ao momento”, sublinhando que a terceira nação menos populosa presente na competição conseguiu travar a campeã da Europa. Para os britânicos, Cabo Verde “mereceu cada segundo daquele ponto.”

Já o “The Guardian” foi ainda mais emotivo. O jornal descreveu Cabo Verde como “o lugar mais feliz do mundo neste momento” e considerou o empate uma das mais felizes igualdades sem golos da história dos Mundiais. A publicação destacou a organização defensiva da equipa africana, classificando a exibição como uma “autêntica aula.”

Em Itália, a ‘Gazzetta dello Sport’ admitiu que o resultado foi “chocante”, elogiando a concentração defensiva dos cabo-verdianos e a exibição do guarda-redes Vozinha. Ainda assim, os italianos pedem calma aos espanhóis, defendendo que a situação deve ser analisada “sem dramatismos excessivos.”

O francês “L’Équipe” resumiu o encontro como uma estreia marcada por uma Espanha «apática» incapaz de ultrapassar uma seleção cabo-verdiana «corajosa», enquanto o RMC Sport falou numa «sensação em Atlanta», destacando a exibição soberba de Vozinha e o significado histórico do primeiro ponto de Cabo Verde em Mundiais.

Na Alemanha, o “Bild” escreveu sobre um “início desastroso” para Espanha e uma “humilhação” para os campeões europeus. O jornal destacou a resistência física e emocional dos cabo-verdianos, que conseguiram sobreviver à pressão espanhola até ao apito final.

Do outro lado do Atlântico, o Globo Esporte não teve dúvidas em classificar o resultado como “a maior zebra [expressão utilizada para descrever uma grande surpresa] do Mundial 2026”. A publicação brasileira colocou Vozinha no centro das atenções, recordando as oito defesas realizadas pelo guarda-redes de 40 anos, eleito melhor jogador em campo.

A ESPN seguiu a mesma linha, classificando o empate como “o primeiro grande choque do Mundial.” O canal norte-americano recordou que 61 posições separam as duas seleções no ranking FIFA e destacou a incapacidade espanhola para ultrapassar o veterano Vozinha.

Entre críticas à Espanha e aplausos a Cabo Verde, uma ideia parece reunir consenso na imprensa internacional: os tubarões azuis já escreveram uma das grandes histórias deste Mundial

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