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Países africanos lusófonos preparam resposta conjunta a emergências de saúde

A iniciativa foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na sequência do primeiro seminário regional da organização especificamente dedicado aos países africanos de língua portuguesa, realizado com o apoio da China e da Região Administrativa Especial de Macau.

Os cinco países africanos de língua portuguesa – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – estão a reforçar a preparação das suas estruturas nacionais para responder a emergências de saúde, através de planos de acção destinados a melhorar a mobilização, coordenação e eficácia das equipas médicas de emergência.

A iniciativa foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na sequência do primeiro seminário regional da organização especificamente dedicado aos países africanos de língua portuguesa, realizado com o apoio da China e da Região Administrativa Especial de Macau.

O encontro reuniu delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que, em conjunto com especialistas da OMS, avaliaram as capacidades existentes, identificaram lacunas e definiram prioridades para a criação e consolidação de equipas nacionais devidamente formadas, equipadas e coordenadas.

Planos estabelecem medidas para os próximos dois anos

Os planos de acção definem responsabilidades e medidas a implementar nos próximos 12 a 24 meses, estabelecendo uma base para o reforço contínuo da preparação nacional.

A estratégia prevê igualmente o acompanhamento dos progressos alcançados, com recurso a indicadores que permitam avaliar a evolução da capacidade operacional de cada país, contando com apoio técnico da OMS.

O reforço destas estruturas assume particular relevância num continente que enfrenta, anualmente, mais de 100 emergências de saúde pública. Na Região Africana da OMS, estas situações abrangem surtos de doenças, catástrofes relacionadas com fenómenos climáticos e crises humanitárias.

Apesar dos esforços realizados, a capacidade de resposta permanece desigual. De acordo com a OMS, 27 países africanos estão actualmente a desenvolver equipas médicas de emergência nacionais, mas apenas 12 alcançaram um nível de prontidão operacional considerado adequado às normas mínimas estabelecidas pela organização.

Barreiras linguísticas dificultam partilha de conhecimentos

Nos países africanos de língua portuguesa, a preparação tem enfrentado, entre outros constrangimentos, o acesso limitado a orientação especializada e as barreiras linguísticas, que podem dificultar a circulação de conhecimentos técnicos e a utilização de instrumentos comuns de preparação e resposta.

“Uma resposta de emergência eficaz depende de equipas nacionais que possam ser mobilizadas rapidamente e operar de forma eficaz desde o início”, afirmou Marie-Roseline Darnycka Bélizaire, directora regional de Emergências da OMS em África.

Durante o seminário, os participantes conheceram também a abordagem da OMS baseada em dez etapas para o desenvolvimento de equipas médicas de emergência nacionais e para a sua integração nos mecanismos existentes de resposta a crises sanitárias.

Covid-19, cólera e ciclones entre as experiências analisadas

As delegações analisaram ainda as lições retiradas de diferentes emergências que afectaram a região nos últimos anos, entre as quais a pandemia da covid-19, surtos de cólera e ciclones.

A avaliação incidiu sobre factores considerados fundamentais para garantir a sustentabilidade das equipas nacionais, incluindo os mecanismos de governação, financiamento, gestão de recursos humanos, aquisição e manutenção de equipamentos, logística e coordenação entre as diferentes estruturas de resposta.

Com estes planos, os cinco países pretendem transformar a experiência adquirida durante as recentes crises sanitárias e catástrofes em mecanismos permanentes de preparação.

A meta passa por assegurar que as equipas nacionais estejam mais bem preparadas e possam ser mobilizadas com maior rapidez e coordenação quando surgirem novas emergências de saúde pública.

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