
Mota-Engil escolhida para construir 830 quilómetros de ferrovia no Corredor do Lobito
A construtora portuguesa Mota-Engil integra dois consórcios seleccionados para a construção de novos troços ferroviários em Angola e na Zâmbia, num projecto com uma extensão conjunta de 830 quilómetros, destinado a facilitar o transporte de matérias-primas e a intensificar as trocas comerciais entre a África Central e o mercado internacional, através do Porto do Lobito.
A escolha foi anunciada pela Africa Finance Corporation (AFC), principal promotora do Corredor do Lobito, que identificou os dois agrupamentos empresariais como preferenciais para a execução das obras. O processo deverá entrar na fase de negociações contratuais em Novembro de 2026.
A infra-estrutura poderá também contribuir para dinamizar o comércio transfronteiriço, estimular o investimento produtivo e criar condições para o desenvolvimento de novas actividades industriais ao longo do corredor ferroviário.
Outro eixo central da iniciativa passa pelo incentivo à transformação local das matérias-primas. A intenção é permitir que Angola e a Zâmbia obtenham maior valor acrescentado dos seus recursos naturais, reduzindo a dependência das exportações de produtos não transformados.
A melhoria das ligações ferroviárias deverá, igualmente, reforçar a integração económica entre os dois países, facilitando a circulação de mercadorias e criando novas oportunidades para empresas ligadas à mineração, à agricultura, à logística e à indústria.
AFC estrutura execução através de sociedades próprias
A Africa Finance Corporation está a desenvolver o empreendimento através da Trans African Rail Company FZCO (TARC), sociedade holding responsável pela estruturação do projecto, e de duas entidades criadas para assegurar a sua execução: a Zambia Lobito Railway Limited e a Zambia Lobito Railway S.A.
A iniciativa tem como base um memorando de entendimento assinado em 2023, que envolveu os Governos de Angola e da Zâmbia, a União Europeia, os Estados Unidos, a Itália e o Banco Africano de Desenvolvimento.
O acordo estabeleceu as bases para o desenvolvimento de uma ligação ferroviária entre a Zâmbia e a costa atlântica angolana, tendo o Porto do Lobito como principal ponto de acesso aos mercados internacionais.
Com a selecção dos consórcios, o projecto entra numa nova fase, marcada pela negociação dos contratos e pela preparação das obras. A concretização da ligação poderá consolidar o papel do Corredor do Lobito no transporte de minerais, no comércio regional e na diversificação das economias dos países abrangidos.