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Cibersegurança: Angola ainda corre atrás da defesa digital, aponta estudo da Mastercard

A digitalização acelera em África. O cibercrime ganha terreno. Mas a capacidade de defesa não avança ao mesmo ritmo. Angola integra o grupo de países da África subsariana classificados no nível 4 de cibersegurança, segundo o relatório Cibersegurança: A corrida pela defesa digital em África, da Mastercard, consultado pela revista Economia & Mercado.

A classificação coloca o País na faixa de pontuação entre 20 e 55 no Índice Global de Cibersegurança (GCI), da União Internacional das Telecomunicações (UIT). É um sinal de alerta para uma economia que procura aprofundar a digitalização dos serviços, dos pagamentos e das transacções comerciais.

O retrato regional revela uma África a várias velocidades. Gana, Quénia, Maurícias, Ruanda e Tanzânia integram o nível 1, reservado aos exemplos a seguir, com pontuações entre 95 e 100. No nível 2, em progressão, surgem Benim, África do Sul, Togo e Zâmbia. Já o nível 3 reúne 15 países em fase de estabelecimento de capacidades.

No extremo mais frágil, Angola partilha o nível 4 com Cabo Verde, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Lesoto, Libéria, Madagáscar, Mali, Namíbia e Níger. Burundi, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe, Seicheles, Sudão do Sul e Zimbabué figuram no nível 5.

A posição angolana contrasta com a evolução de alguns vizinhos. O estudo destaca que a liderança não pertence necessariamente às maiores economias. O avanço depende de instituições, legislação, investimento técnico e capacidade de execução. Gana, Quénia, Maurícias, Ruanda e Tanzânia são apontados como mercados que conseguiram combinar estes factores.

O GCI avalia cinco pilares: medidas jurídicas, técnicas e organizacionais, desenvolvimento de competências e cooperação. O desempenho de Angola evidencia um desequilíbrio. No perfil nacional publicado pela UIT, o País apresenta resultados relativamente mais fortes nos domínios jurídico e da cooperação. As maiores oportunidades de melhoria concentram-se nas capacidades técnicas, na organização e na formação de quadros.

O desafio, por isso, já não se resume à existência de regras. Está em transformar normas em protecção efectiva. A UIT alerta que muitos países ampliaram os serviços digitais e a conectividade sem integrar, na mesma proporção, mecanismos de segurança. A falta de competências, pessoal especializado, equipamentos e financiamento alimenta esta distância.

Gabriel Swanepoel, presidente da divisão África da Mastercard, considera que o reforço da governação e dos recursos pode abrir caminho à próxima etapa da ciber-resiliência no continente. O responsável defende uma abordagem que antecipe ameaças, em vez de esperar que os ataques aconteçam.

“Proteger esses sistemas equivale a proteger a própria economia”, sublinha. A advertência ganha peso numa realidade em que pagamentos, crédito, seguros e comércio dependem de redes interligadas. Uma falha deixa de ser apenas um problema informático. Pode interromper negócios, comprometer dados e abalar a confiança dos consumidores.

A dimensão do risco exige respostas partilhadas. “O fortalecimento da ciber-resiliência exige colaboração entre governos, instituições financeiras e o sector privado”, defende Swanepoel. A Mastercard afirma ter investido mais de 12,6 mil milhões de dólares em inovação na cibersegurança desde 2019 e ter evitado milhares de milhões em perdas potenciais associadas a fraudes.

Em Angola, o quadro institucional também evolui. Em Dezembro de 2025, o Executivo aprovou a Estratégia Nacional de Cibersegurança e criou o Conselho Nacional de Cibersegurança, através dos Decretos Presidenciais n.º 256/25 e n.º 258/25.

Instituto Angolano das Comunicações

A iniciativa reforça a arquitectura legal e de coordenação. O teste decisivo, porém, está na implementação, nos recursos e na capacidade de resposta a incidentes.

A corrida pela defesa digital não se ganha apenas com legislação ou conectividade. Exige investimento contínuo, especialistas, mecanismos de prevenção e cooperação entre sectores. Para Angola e boa parte da África subsariana, a prioridade é fechar a distância entre a expansão digital e a protecção das infra-estruturas que sustentam a economia.

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