Estados Unidos introduzem nova declaração obrigatória para viajantes devido ao Ébola
Os Estados Unidos vão introduzir, a partir de 3 de Novembro, uma nova declaração obrigatória para os passageiros que viajem de avião para o país, com o objectivo de reforçar as medidas de prevenção contra a propagação do ébola. A nova exigência obriga os viajantes a confirmar que não estiveram na República Democrática do Congo (RDC) nos 21 dias anteriores à viagem.
A medida foi determinada pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e consta de um memorando consultado pela agência Reuters. Os passageiros terão de preencher uma declaração, em formato digital ou em papel, antes de embarcarem com destino ao território norte-americano.
A decisão surge numa altura em que a Nigéria confirmou o seu primeiro caso de ébola em mais de dez anos. Trata-se de uma mulher nascida no Uganda, que regressou à capital nigeriana, Abuja, a 3 de Outubro, depois de uma deslocação ao seu país de origem.
O caso voltou a chamar a atenção para os riscos de propagação transfronteiriça do vírus no continente africano. Contudo, as autoridades norte-americanas não estabeleceram oficialmente qualquer ligação entre a nova exigência de viagem e a infecção identificada na Nigéria.
Ao abrigo das novas regras, as companhias aéreas terão de garantir que os passageiros preenchem a declaração antes da viagem. O CDC deverá reunir-se na sexta-feira com as principais transportadoras aéreas norte-americanas e internacionais para esclarecer os procedimentos necessários ao cumprimento da determinação.
Restrições de entrada mantêm-se em vigor
A nova obrigação complementa as medidas de controlo fronteiriço adoptadas pelos Estados Unidos desde o início de 2026, na sequência do surto de ébola na República Democrática do Congo.
Em Maio, o CDC implementou restrições destinadas a impedir que passageiros que tivessem estado na RDC nos 21 dias anteriores embarcassem em voos comerciais com destino aos Estados Unidos. Em Julho, essas limitações foram alargadas aos cidadãos norte-americanos.
Washington também estabeleceu restrições de entrada para determinados cidadãos estrangeiros que tenham estado recentemente no Uganda ou no Sudão do Sul, países associados ao surto. Para os cidadãos norte-americanos que tenham visitado esses territórios existem procedimentos específicos, incluindo controlos sanitários reforçados em aeroportos designados.
O surto está associado à estirpe Bundibugyo do vírus do ébola, que se propagou por vários países africanos. Segundo o CDC, até 20 de Outubro não tinham sido registados nos Estados Unidos casos relacionados com este surto, sendo considerado baixo o risco para a população norte-americana e para os viajantes.
Com a nova declaração, as autoridades norte-americanas pretendem reforçar a verificação do historial recente de viagens de todos os passageiros com destino ao país, complementando as restrições que já incidiam sobre pessoas provenientes de territórios afectados.
Em Angola, país que faz fronteira com a RDC, não regista qualquer caso de Ébola.