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Maurícias enfrentam os piores tumultos desde 1999

Protestos inicialmente motivados pela escassez de água e pelo aumento do custo de vida degeneraram em confrontos, incêndios e destruição de edifícios públicos. O Governo impôs um recolher obrigatório, entretanto levantado, numa tentativa de restabelecer a ordem.

As Maurícias enfrentam uma das mais graves vagas de agitação social das últimas décadas, depois de manifestações contra a escassez de água potável e o aumento do custo de vida terem degenerado em confrontos violentos, na sequência de uma mulher ter sido baleada por um agente da polícia.

A violência levou as autoridades a impor um recolher obrigatório nocturno na capital, Port Louis, e em várias localidades do país insular do oceano Índico. A medida foi decretada pelo primeiro-ministro, Navin Ramgoolam, na terça-feira, dia 13, perante o agravamento da situação de segurança. Na manhã de ontem, as autoridades anunciaram que a situação estava sob controlo e que a restrição tinha sido levantada.

Os protestos começaram cerca de uma semana antes, com manifestações relacionadas com as dificuldades de acesso à água e a pressão exercida pelo encarecimento da vida sobre as famílias. A situação agravou-se na sexta-feira, dia 9, quando Élodie Thomas, de 27 anos, foi atingida a tiro por um agente policial num posto de controlo, na região de Beau Bassin-Rose Hill, a sudoeste da capital.

A instabilidade representa um desafio para a imagem internacional das Maurícias, um dos destinos turísticos mais conhecidos do oceano Índico e um centro regional de serviços financeiros.

A economia do arquipélago depende significativamente do turismo, dos serviços financeiros e da sua capacidade de atrair visitantes e actividade empresarial internacional. A interrupção dos transportes, o encerramento temporário de escolas e a necessidade de impor recolheres obrigatórios podem afectar a actividade económica e aumentar a preocupação de operadores turísticos e investidores.

Embora as autoridades tenham anunciado a recuperação da circulação em várias zonas, a extensão das restrições nocturnas demonstra que o regresso à normalidade continua condicionado pela evolução da segurança pública. A continuidade das dificuldades no abastecimento de água constitui outro factor de risco, sobretudo se não forem encontradas soluções capazes de responder às necessidades da população.

O Governo enfrenta, assim, o duplo desafio de restabelecer a ordem pública e responder às reivindicações sociais que estiveram na origem dos protestos. A investigação ao disparo policial será igualmente importante para esclarecer responsabilidades e responder às preocupações sobre a actuação das forças de segurança.

O desfecho da crise dependerá não apenas da contenção dos actos de violência, mas também da capacidade das autoridades de melhorar o abastecimento de água, aliviar as dificuldades quotidianas das famílias e recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições.

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