Zimbabwe já pagou 820 milhões de dólares em indemnizações a agricultores brancos
O Governo do Zimbabwe desembolsou cerca de 820 milhões de dólares para compensar agricultores brancos cujas terras foram expropriadas em 2000, no âmbito da reforma agrária promovida pelo então Presidente Robert Mugabe.
O balanço foi apresentado pelo ministro das Finanças, Mthuli Ncube, que destacou os progressos alcançados no processo de indemnização, bem como as reformas em curso no regime de propriedade da terra e na governação do sector.
«Salientei os progressos na compensação pelas terras, com 820 milhões de dólares pagos aos antigos proprietários de quintas, a par das reformas em curso no domínio da propriedade fundiária e da governação», escreveu o governante na rede social X.
A declaração foi feita após a participação de Ncube, ontem, terça-feira, dia 13, nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizadas em Banguecoque, capital da Tailândia. Durante os encontros, o ministro abordou igualmente os progressos do Zimbabwe na estabilização macroeconómica.
Os valores agora divulgados representam um aumento face ao balanço apresentado pelo Governo a 29 de Setembro, quando as autoridades anunciaram o pagamento de 521 milhões de dólares em compensações, abrangendo 623 agricultores distribuídos por três fases. Na mais recente actualização, o ministro não especificou quantos antigos proprietários já receberam indemnizações.
O programa de compensações integra os esforços do Zimbabwe para regularizar os compromissos financeiros pendentes e avançar na resolução da dívida externa, num contexto de incumprimento perante credores internacionais desde 1999. A regularização destas obrigações é considerada relevante para a recuperação da confiança dos financiadores e para o restabelecimento das relações financeiras do país com os seus credores.
A questão fundiária remonta a 2000, quando o Governo de Robert Mugabe, que esteve no poder entre 1980 – data da independência – e 2017, lançou uma reforma agrária que levou à expropriação de cerca de 4.000 agricultores brancos, muitos dos quais exploravam propriedades adquiridas durante o período colonial.
Na altura, o processo decorreu num contexto de recessão económica e alterou profundamente a estrutura da produção agrícola do país. Os agricultores brancos tinham um peso significativo na actividade agrícola comercial, sobretudo na produção de tabaco e de produtos hortícolas destinados à exportação, incluindo flores.
Após as expropriações, parte das terras que ficaram disponíveis começou a ser ocupada informalmente pela população negra, no quadro da redistribuição fundiária promovida pelo Governo.