
Estados Unidos colocam 11 países africanos no nível máximo de alerta contra viagens
Terrorismo, raptos, conflitos armados, criminalidade e instabilidade política levam Washington a desaconselhar os cidadãos norte-americanos a deslocarem-se a vários destinos africanos.
Os Estados Unidos incluíram 11 países africanos no nível 4 de alerta de viagem, a categoria mais elevada do sistema de avisos do Departamento de Estado norte-americano, que desaconselha a deslocação de cidadãos dos EUA a destinos considerados de elevado risco para a segurança.
A lista, consultada em Outubro de 2026, abrange o Burquina Faso, a República Centro-Africana, o Chade, a República Democrática do Congo (RDC), a Líbia, o Mali, o Níger, a Somália, o Sudão do Sul, o Sudão e o Uganda.
Entre os principais motivos apontados pelas autoridades norte-americanas estão o terrorismo, os raptos, a criminalidade, a instabilidade política, os distúrbios civis, os conflitos armados e as limitações no acesso aos cuidados de saúde.
O Departamento de Estado adverte que as condições de segurança nestes destinos podem representar riscos potencialmente fatais e que, em situações de emergência, as autoridades norte-americanas poderão ter capacidade limitada ou mesmo inexistente para prestar assistência aos seus cidadãos.
Conflitos e insegurança agravam os riscos
Os 11 países enfrentam desafios de segurança distintos, embora vários partilhem problemas relacionados com a violência armada, a fragilidade das instituições e a instabilidade política.
Na região do Sahel, as insurreições de grupos extremistas e os ataques armados continuam a afectar países como o Burquina Faso, o Mali e o Níger. No Corno de África, a Somália permanece confrontada com a actividade de grupos militantes, enquanto o Sudão continua a sofrer as consequências de uma guerra que agravou a crise humanitária e comprometeu o funcionamento de serviços essenciais.
Na África Central, a República Centro-Africana, o Chade e a República Democrática do Congo enfrentam diferentes ameaças, que incluem violência armada, criminalidade, raptos e instabilidade em determinadas regiões.
A estes factores juntam-se, em alguns territórios, infra-estruturas deficientes, serviços de saúde limitados e dificuldades de acesso a assistência de emergência, circunstâncias que podem aumentar a exposição dos viajantes a situações de perigo.
Os motivos do alerta em cada país
Burquina Faso: O aviso norte-americano destaca os riscos associados ao terrorismo, à criminalidade, aos raptos e às condições de saúde, num contexto de persistente violência de grupos armados.
República Centro-Africana: As autoridades apontam ameaças relacionadas com a criminalidade, os distúrbios civis, os raptos, o terrorismo e o acesso limitado a cuidados de saúde.
Chade: Entre os riscos identificados encontram-se o terrorismo, os raptos, a criminalidade, a instabilidade civil e a presença de minas terrestres em determinadas zonas.
República Democrática do Congo: O alerta abrange ameaças de violência, criminalidade, raptos, terrorismo e problemas de saúde, sobretudo nas áreas afectadas por conflitos armados.
Líbia: A instabilidade política, a actuação de grupos armados, o terrorismo, os raptos e a criminalidade continuam a constituir factores de risco para os viajantes.
Mali: O aviso refere o terrorismo, os raptos, a criminalidade, os distúrbios civis e os riscos sanitários, num cenário de insegurança em várias partes do território.
Níger: O terrorismo, os raptos, a criminalidade e a instabilidade política e securitária estão entre as principais razões para a classificação.
Somália: As autoridades norte-americanas destacam o terrorismo, os raptos, a criminalidade, os distúrbios civis e os riscos para a saúde.
Sudão do Sul: O alerta tem em conta a criminalidade, os raptos, os distúrbios civis, as ameaças à segurança e as limitações dos serviços de saúde.
Sudão: A guerra em curso, associada à criminalidade, aos raptos, à instabilidade e às dificuldades de acesso a cuidados de saúde, torna as deslocações particularmente perigosas.
Uganda: O aviso norte-americano identifica riscos relacionados com o terrorismo, a criminalidade e a saúde.
Classificação não significa risco uniforme
O Departamento de Estado sublinha que a classificação de nível 4 não significa que todas as regiões dos países abrangidos apresentem exactamente as mesmas condições de segurança. Os riscos variam consoante o destino e as circunstâncias locais, sendo as recomendações adaptadas à situação de cada país.
A categoria constitui uma avaliação da segurança das deslocações para cidadãos norte-americanos, não uma classificação mundial dos países mais perigosos. Também não representa uma proibição de viagem para cidadãos de outras nacionalidades.
A inclusão dos 11 países evidencia a dimensão dos desafios de segurança que afectam diferentes regiões africanas em 2026, desde as insurreições armadas no Sahel e no Corno de África até à guerra no Sudão e à instabilidade em partes da África Central.