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Gana pressiona Londres para assumir responsabilidades históricas pelo tráfico de escravos

O Presidente do Gana, John Dramani Mahama, instou o Reino Unido a apresentar um pedido formal de desculpas pelo seu envolvimento no comércio transatlântico de escravos, considerando que o reconhecimento das atrocidades cometidas constitui um passo importante para a reparação histórica e o combate às desigualdades herdadas desse período.

A posição do chefe de Estado ganês surge na sequência das declarações do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que, num artigo publicado no sábado pelo jornal The Guardian, manifestou abertura à possibilidade de o Reino Unido apresentar um pedido formal de desculpas pelo seu passado no tráfico de escravos. Contudo, o governante afastou a hipótese de atribuição de compensações financeiras.

Numa carta divulgada pela Presidência ganesa, Mahama manifestou «optimismo cauteloso e agradecimento» pelo reconhecimento, por parte do responsável britânico, da gravidade do tráfico transatlântico de escravos e da violação da dignidade humana que representou. O Presidente destacou igualmente a disponibilidade de Londres para avançar com um pedido de desculpas e iniciar um processo de diálogo estruturado.

Para o líder ganês, esta abertura constitui um sinal positivo, sobretudo por surgir depois da aprovação, em Março passado, de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), promovida pelo Gana, que classifica o tráfico transatlântico de escravos e a escravatura racializada de africanos como o crime mais grave contra a Humanidade.

Mahama recordou, neste contexto, que o Reino Unido se absteve na votação da referida resolução, considerando que a actual disponibilidade do Governo britânico representa uma evolução no reconhecimento das responsabilidades históricas.

O Presidente defende que o processo de diálogo deverá envolver a União Africana (UA), a Comunidade das Caraíbas (Caricom), representantes da diáspora africana e os países que estiveram ligados ao sistema transatlântico de escravatura.

Na perspectiva de Accra, as conversações não deverão limitar-se a um pedido formal de desculpas, devendo incluir uma abordagem mais abrangente à justiça reparatória, com compromissos internacionais para combater o racismo sistémico e a afrofobia.

Entre as medidas apontadas estão investimentos direccionados para a educação, a ciência, a formação e capacitação dos jovens, a resiliência climática e os cuidados de saúde. O Gana defende igualmente a restituição de bens culturais retirados de África durante o período colonial e a criação de parcerias estratégicas de desenvolvimento capazes de contribuir para combater a pobreza estrutural.

A iniciativa pretende, assim, colocar a responsabilidade histórica pelo tráfico de escravos no centro de um debate internacional mais amplo, associando o reconhecimento dos crimes do passado a medidas concretas de justiça, desenvolvimento e valorização das comunidades africanas e da sua diáspora.

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