
Angola desembolsa 1,08 mil milhões de dólares na compra de combustível no exterior
Angola despendeu cerca de 1,08 mil milhões de dólares na importação de combustíveis líquidos entre Julho e Setembro de 2026. Durante este período, os produtos adquiridos no mercado internacional representaram 74% do abastecimento nacional, revelando a dependência do país em relação aos fornecedores externos para responder às necessidades de consumo.
Os dados constam do Sumário da Actividade Comercial no Mercado dos Derivados do Petróleo, divulgado pelo Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), referente ao terceiro trimestre do ano.
Apesar de figurar entre os principais produtores de petróleo do continente africano, Angola continua a recorrer de forma expressiva à importação de combustíveis refinados. Esta situação mantém uma pressão significativa sobre as contas externas, devido aos recursos financeiros necessários para assegurar o fornecimento regular de produtos petrolíferos ao mercado interno.
A elevada participação das importações no abastecimento nacional coloca novamente em evidência o desafio de aumentar a capacidade de refinação no país. O desenvolvimento da produção interna poderá permitir reduzir a dependência dos mercados internacionais, limitar a saída de divisas e diminuir a exposição às oscilações dos preços dos combustíveis nos mercados externos.
O reforço da capacidade nacional de refinação constitui, neste contexto, um dos factores que poderão contribuir para uma alteração gradual do actual modelo de abastecimento. Contudo, o impacto desta estratégia dependerá da capacidade das refinarias para fornecer volumes suficientes e produtos com as especificações exigidas pelo mercado angolano.
Uma eventual redução das importações poderá também favorecer a balança comercial e aliviar as necessidades de divisas destinadas à aquisição de combustíveis no estrangeiro. A dimensão desses benefícios estará, no entanto, condicionada pela evolução da produção nacional, pelos custos de refinação, pelo comportamento da procura interna e pelas cotações internacionais dos produtos petrolíferos.
Os 1,08 mil milhões de dólares gastos no terceiro trimestre ilustram, assim, o peso financeiro que o abastecimento de combustíveis continua a representar para a economia angolana. A evolução da factura de importação nos próximos meses será um dos indicadores a acompanhar para avaliar os efeitos do reforço da capacidade de refinação na redução da dependência externa.