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Luanda deverá liderar população urbana da África subsaariana em 2050, revela Banco Mundial

Luanda deverá tornar-se a cidade mais populosa da África subsaariana até 2050, altura em que poderá atingir 20,3 milhões de habitantes, ultrapassando Lagos, na Nigéria. A projecção consta de um relatório do Banco Mundial, que antecipa uma profunda transformação demográfica e económica dos centros urbanos africanos nas próximas décadas.

De acordo com o documento, intitulado «O Despertar Urbano da África subsaariana», a população da capital angolana deverá aumentar 78% até meados do século, passando dos actuais 11,4 milhões para 20,3 milhões de habitantes.

A evolução demográfica permitirá a Luanda ultrapassar Lagos, que, apesar de continuar a registar um crescimento populacional, deverá apresentar uma expansão mais moderada. A cidade nigeriana deverá passar de 12,8 milhões de habitantes para 16,2 milhões em 2050, o equivalente a um aumento de 25%.

As projecções do Banco Mundial indicam que a composição das 15 maiores cidades da região deverá manter-se relativamente estável, embora com algumas alterações. Entre as novidades está a entrada de Bamaco, capital do Mali, e Mogadíscio, capital da Somália, que deverão alcançar 7,6 milhões e 7,2 milhões de habitantes, respectivamente.

Kinshasa, na República Democrática do Congo, Dar es Salaam, na Tanzânia, e Adis Abeba, na Etiópia, também deverão integrar o grupo dos maiores centros urbanos africanos, todas com populações superiores a 10 milhões de pessoas.

O crescimento das cidades reflecte uma tendência de urbanização acelerada em toda a África subsaariana. Desde 1975, o número de habitantes das áreas urbanas da região aumentou de 170,2 milhões para 912,6 milhões, representando um acréscimo de 742,4 milhões de pessoas.

Até 2050, prevê-se que a população urbana aumente em mais 748 milhões de habitantes, aproximando-se de 1,7 mil milhões. Esta evolução colocará uma pressão adicional sobre os mercados de trabalho, as infra-estruturas, os serviços públicos e a capacidade de planeamento das administrações urbanas.

O Banco Mundial considera que a expansão demográfica exigirá a criação de cerca de 15 milhões de novos postos de trabalho nas próximas décadas, apenas para acompanhar o crescimento da população jovem que irá entrar no mercado de trabalho.

Perante este cenário, a instituição defende que os governos africanos devem adoptar medidas para eliminar os principais constrangimentos ao desenvolvimento das cidades e aproveitar as oportunidades económicas associadas à urbanização.

Entre as prioridades apontadas estão a canalização do investimento público para sectores e projectos capazes de gerar emprego e atrair capital privado, o planeamento antecipado da expansão urbana e a adopção de estratégias diferenciadas para os centros urbanos de menor dimensão.

O Banco Mundial considera igualmente que o capital privado terá um papel determinante no desenvolvimento económico do continente, sobretudo num contexto em que as limitações

orçamentais dos Estados dificultam a concretização simultânea de todos os investimentos necessários.

A instituição defende, por isso, uma utilização mais criteriosa dos recursos públicos, privilegiando projectos em que a intervenção do Estado possa estimular o investimento privado, dinamizar a criação de emprego e antecipar as necessidades decorrentes do crescimento das cidades.

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