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Restabelecida ligação terrestre entre o sul e o norte de Moçambique

A ligação terrestre entre o sul e o norte de Moçambique foi hoje restabelecida, através de uma estrada alternativa, após 15 dias de interrupção devido às cheias, anunciou a administração de estradas.

A ligação terrestre através da estrada Nacional N1 entre Maputo e Gaza, no sul de Moçambique, tinha sido interrompida devidos a seis cortes no trecho que liga as duas províncias, cujas obras de intervenção provisória terminaram na sexta-feira, dia 30, sendo que o trânsito mantém-se interrompido na zona da baixa da cidade de Xai-Xai, a capital da província de Gaza, onde as obras de reposição ainda decorrem.

Em comunicado, a Administração Nacional de Estradas (ANE), refere que “foi restabelecida, há momentos (ontem, 15 horas de Luanda) a ligação terrestre entre o sul e o norte do país”, com a reposição da transitabilidade na estrada N220, no troço Chissano-Chibuto, na província da Gaza.

De acordo com a ANE, durante a primeira fase, a transitabilidade está aberta de forma condicionada, somente para viaturas ligeiras e autocarros, enquanto decorrem trabalhos de melhoria da plataforma para permitir a passagem de viaturas pesadas, logo que os trabalhos terminem.

“A ANE reitera que neste momento continua intransitável a estrada N1, na cidade de Xai-Xai [província de Gaza], não havendo, por enquanto, ligação terrestre entre Maputo e Xai-Xai, através do troço Incoluane – Baixa de Chicumbane – Cidade de Xai-Xai”, refere a ANE.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, assegurou, na terça-feira, o restabelecimento em, no máximo, duas semanas da circulação na estrada N1, referindo que as chuvas continuam a afectar as famílias moçambicanas e prometendo mais esforços para mitigar os seus impactos.

O número de afectados pelas cheias de Janeiro em Moçambique subiu para 723.289, com 22 mortos, de acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Segundo informação da base de dados do INGD, a que a agência Lusa teve acesso no sábado, com informação até às 14:30 (13:30 de Luanda) de sexta-feira, as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afectaram o equivalente a 170.223 famílias, e mais 20 mil pessoas em 24 horas.

Desde 7 de Janeiro, foram registados ainda 45 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, além de 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas.

O registo do INGD aponta ainda para 451.571 hectares de área agrícola afectados, dos quais 275.765 dados como perdidos, atingindo a actividade de 332.863 agricultores, além da morte de 430.972 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Prossegue o socorro de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias.

A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.

Desde o início da época das chuvas, em Outubro, incluindo as cheias de Janeiro, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 844.295 pessoas afectadas, segundo os dados do INGD.

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