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Angola quer novos modelos de cooperação económica com África

A necessidade de se redefinir os modelos de cooperação económica e de se migrar do financiamento via dívida soberana para o investimento em capital próprio, no sentido de projectar a industrialização de África, foram reconhecidos, esta quinta-feira, em Xangai (China), pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns.

Ao intervir no Fórum do Banco da China, no âmbito da 9.ª Exposição Internacional de Importações da China (CIIE 2026), que decorre de 05 a 10 deste mês naquele país asiático,  o governante apelou para o reforço das parcerias estratégicas baseadas na inovação e na produção local.

Segundo uma nota de imprensa, citada pela ANGOP, o ministro considerou que os dados, do período entre 2011 e 2026, reflectem um paradoxo no continente africano, caracterizado por uma vasta riqueza natural e potencial demográfico, em contrapartida com a contínua fuga de capitais e o peso sufocante do serviço da dívida.

Disse que, apesar de o continente ter atraído cerca de 800 mil milhões de dólares americanos em Investimento Directo Estrangeiro (IDE), nos últimos 15 anos, grande parte desse valor concentrou-se no sector extractivo.

Em contrapartida, adianta,  África perde anualmente cerca de 89 mil milhões de dólares em fluxos financeiros ilícitos, enquanto o serviço da dívida externa ultrapassa os 80 mil milhões de dólares por ano, superando os valores combinados de IDE e de Ajuda Pública ao Desenvolvimento.

“Estamos a pagar mais para honrar compromissos do passado do que aquilo que recebemos para construir o futuro”, frisou.

Nesta perspectiva, o titular da pasta da Indústria e Comércio, alertou que a austeridade, decorrente do endividamento, limita os investimentos essenciais em infra-estruturas industriais, inovação, educação e saúde.

Sobre o processo de diversificação económica e atracção de investimentos em Angola, o governante destacou que o Executivo angolano está empenhado no processo de transição de uma economia dependente do petróleo para um modelo produtivo e diversificado.

Neste âmbito, ressaltou  a implementação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), com prioridade para a agro-indústria, a transformação de recursos minerais e a indústria transformadora.

Reforçou ainda as reformas legislativas em curso no país, nomeadamente a revisão da Lei do Investimento Privado, o programa de privatizações, regras de conteúdo local e o aproveitamento do mercado de 1,4 mil milhões de consumidores proporcionado pela Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

O ministro exortou as instituições financeiras chinesas e o sector privado a adoptarem novos mecanismos de financiamento, tais como parcerias público-privadas e financiamentos mistos, visando a criação de zonas económicas especiais, energias renováveis e inovação digital.

Com este propósito, Rui Miguêns de Oliveira convidou os investidores internacionais a explorarem as oportunidades de negócio não apenas em Luanda, mas também nos pólos industriais emergentes em províncias como Benguela, Huambo e Huíla (Lubango).

A promoção das potencialidades económicas e empresariais de Angola para ampliar as oportunidades de cooperação, atrair investimento e fortalecer a presença de Angola nas dinâmicas do comércio internacional, constam das prioridades da delegação que participa na 9.ª edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE 2026).

O evento conta com a participação de mais de 100 instituições angolanas, provenientes do sector público e privado.

A Exposição Internacional de Importação da China é reconhecida como uma das principais plataformas internacionais de promoção do comércio e de abertura do mercado chinês aos produtos e serviços internacionais, constituindo um espaço privilegiado para o estabelecimento de parcerias estratégicas, aproximação entre mercados e identificação de oportunidades de negócio.

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