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Serviços da Unitel estão a ser gradualmente repostos

Os serviços da Unitel, a maior operadora angolana de telefonia móvel, começaram ontem, quarta-feira, dia 29, a funcionar parcialmente, afirmou o presidente da operadora angolana, escusando-se a dar mais pormenores sobre o ataque informático à empresa para “não perturbar o curso das investigações”.

Aguinaldo Jaime, presidente do conselho de administração da Unitel, respondia à agência Lusa à margem da cerimónia de estreia da empresa na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), que decorreu ontem em Luanda.

O gestor sublinhou que o cibercrime está presente em todas as latitudes e actividades económicas, admitindo tratar-se do incidente mais grave já sofrido pela operadora. “Obviamente não é a primeira situação de cibercrime de que a Unitel é vítima, mas esta é a mais grave, a mais sofisticada e a que mais impacto teve”, declarou.

Ainda assim, ressalvou que a empresa já enfrentou dezenas de ataques anteriores sem consequências de maior. “A Unitel já sofreu dezenas de ataques, mas fomos sempre capazes de monitorizar o seu impacto e os seus efeitos, e é isso que estamos a fazer”, acrescentou.

Questionado sobre se a empresa chegou a ponderar adiar a entrada em bolsa, Aguinaldo Jaime respondeu que a hipótese foi considerada, mas afastada face ao andamento da recuperação. “Tudo ponderado, e sobretudo depois de vermos como os trabalhos de recuperação da nossa infraestrutura estão a decorrer, achámos que o melhor seria manter a actividade do ‘ring the bell’ para hoje [ontem]”, disse.

O responsável garantiu que não foram afectados dados sensíveis dos clientes e mostrou-se confiante na recuperação. “Os efeitos estão contidos, estamos a trabalhar na recuperação da nossa capacidade e acredito que ainda hoje [ontem] uma parte dos serviços vai começar a funcionar”, afirmou.

Aguinaldo Jaime adiantou que a investigação está em curso e que já chegaram a Angola especialistas internacionais para colaborar com a Unitel.

Sobre o impacto financeiro do ataque para a empresa e para os clientes, escusou-se a quantificá-lo, dizendo que está ainda a ser avaliado.

Recorde-se que o ataque, ocorrido cerca das 02H00 de terça-feira, está a deixar sem rede móvel nem Internet os 20,8 milhões de clientes da operadora, líder do mercado angolano. Além da impossibilidade de efectuar chamadas ou aceder à Internet, a falha está a afectar diversas empresas e o funcionamento de várias actividades quotidianas, num país onde, seguindo a tendência mundial, os angolanos usam cada vez menos dinheiro físico.

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