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Sector petrolífero angolano recebeu 99 mil milhões de USD em nove anos

Angola investiu cerca de 99 mil milhões de dólares no sector petrolífero entre 2017 e 2025, num período marcado por reformas destinadas a atrair capital, estimular a actividade de exploração e contrariar o declínio da produção de hidrocarbonetos.

O montante foi revelado pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante a abertura da sétima edição da Conferência e Exposição Angola Oil & Gas (AOG 2026), em Luanda, onde representou o Presidente da República, João Lourenço.

O balanço apresentado pelo Governo indica que, ao longo dos nove anos em análise, foram perfurados 38 poços de exploração, dos quais resultaram 16 descobertas. No mesmo período, foram negociadas 72 novas concessões petrolíferas, sendo que 44 já foram assinadas e 28 permanecem em processo de aprovação.

Segundo José de Lima Massano, a estratégia do Executivo passa por continuar a expandir a fronteira exploratória, com o propósito de identificar novos recursos e assegurar a reposição das reservas.

A intensificação da actividade ocorre depois de vários anos de redução da produção petrolífera angolana. Desde 2016, o sector tem enfrentado um declínio associado sobretudo à maturidade dos campos e à insuficiência de investimento na exploração e no desenvolvimento de novos recursos.

Dados anteriormente apresentados pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, apontam para períodos em que a produção chegou a registar reduções anuais na ordem dos 10% a 15%.

A aposta em novas concessões e na actividade exploratória procura, por isso, criar uma base de reservas capaz de sustentar a produção durante um período mais prolongado.

O desafio passa agora por transformar o capital aplicado em novas descobertas comercialmente viáveis, desenvolver os campos identificados e aumentar a eficiência das infra-estruturas existentes.

Mais 66 mil milhões de dólares até 2030

A aposta nos hidrocarbonetos deverá manter-se durante os próximos anos. De acordo com dados divulgados pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, estão previstos mais de 66 mil milhões de dólares de investimento entre 2026 e 2030.

Os recursos deverão ser destinados à exploração e produção de petróleo e gás, mas também a projectos de transformação e a infra-estruturas ligadas à cadeia de valor dos hidrocarbonetos.

Entre os grandes investidores está a francesa TotalEnergies, que anunciou a intenção de aplicar, em conjunto com parceiros, cerca de 10 mil milhões de dólares em Angola nos próximos cinco anos.

Uma parte significativa desse investimento estará associada à manutenção da produção existente e a novas actividades de exploração. Entre os principais projectos encontra-se o

Kaminho, avaliado em cerca de seis mil milhões de dólares e cuja entrada em produção está prevista para 2028.

Conteúdo local continua a ser desafio

Para o Executivo, a estratégia para o sector petrolífero não se limita à atracção de investimento estrangeiro. Uma das prioridades consiste em aumentar a parcela de valor acrescentado que permanece na economia nacional.

José de Lima Massano defendeu, nesse sentido, uma maior integração das empresas angolanas na cadeia de fornecimento da indústria petrolífera, de forma a promover a criação de emprego, desenvolver competências e aumentar a participação nacional.

A política de conteúdo local ganhou maior relevância com as reformas introduzidas no sector. Contudo, a presença de empresas totalmente detidas por cidadãos angolanos continua reduzida.

Em 2025, estas empresas representaram cerca de 8% das contratações no sector, segundo dados apresentados por Diamantino Azevedo.

Entre os principais constrangimentos identificados encontram-se o acesso ao financiamento, a capacidade tecnológica e a necessidade de reforçar a dimensão e a competitividade das empresas nacionais.

A política de conteúdo local ganhou maior relevância com as reformas introduzidas no sector. Contudo, a presença de empresas totalmente detidas por cidadãos angolanos continua reduzida.

Em 2025, estas empresas representaram cerca de 8% das contratações no sector, segundo dados apresentados por Diamantino Azevedo.

Entre os principais constrangimentos identificados encontram-se o acesso ao financiamento, a capacidade tecnológica e a necessidade de reforçar a dimensão e a competitividade das empresas nacionais.

O reforço da capacidade de refinação constitui outra das apostas do Executivo. O objectivo é aumentar a transformação interna do crude, reduzir a necessidade de importação de combustíveis e fazer com que uma parcela maior do valor gerado pelo petróleo permaneça no país.

Neste âmbito, a Refinaria de Cabinda, inaugurada em 2025, e a Refinaria do Lobito, actualmente em construção, assumem uma importância estratégica.

A intenção do Governo é reduzir progressivamente a dependência de um modelo baseado sobretudo na extracção e exportação de crude e avançar para uma maior transformação interna dos recursos, acompanhada pelo desenvolvimento de actividades industriais associadas.

Gás natural abre novas possibilidades

O gás natural surge igualmente como uma das áreas prioritárias para a próxima fase de desenvolvimento da indústria dos hidrocarbonetos.

As autoridades pretendem aumentar a exploração de gás não associado e criar condições para o desenvolvimento de projectos de maior dimensão. A disponibilidade desta matéria-prima poderá favorecer o aparecimento ou expansão de indústrias como a produção de fertilizantes, a siderurgia e a petroquímica.

A aposta no gás enquadra-se ainda num contexto internacional de transição energética, que está a pressionar os países produtores de petróleo e gás a reduzir a intensidade carbónica das suas economias.

Apesar desse cenário, o Executivo angolano considera que os hidrocarbonetos continuarão a desempenhar um papel central na economia nacional durante os próximos anos.

Na abertura da AOG 2026, José de Lima Massano defendeu uma transição energética gradual, equilibrada e inclusiva, que combine petróleo e gás natural com fontes renováveis, nomeadamente a energia hídrica, solar, eólica e a biomassa.

O desafio da próxima década

Os 99 mil milhões de dólares investidos entre 2017 e 2025 representam uma dimensão significativa do esforço financeiro realizado para revitalizar a indústria petrolífera angolana.

Depois de uma década marcada pelo declínio da produção, o principal desafio será garantir que o investimento realizado produza resultados duradouros: novas reservas, aumento da produção, maior eficiência operacional e uma indústria nacional mais integrada na cadeia de valor.

Ao mesmo tempo, o Executivo terá de conciliar a importância dos hidrocarbonetos para as receitas do Estado e para a economia com a necessidade de diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência do petróleo.

Para Angola, a próxima fase da indústria petrolífera será, assim, determinada não apenas pelo volume de capital mobilizado, mas pela capacidade de transformar esse investimento em reservas, produção sustentável, conteúdo local e maior valor acrescentado dentro da economia nacional.

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