
Moody’s melhora perspectiva da África Subsaariana e inclui Angola no grupo positivo
A agência de notação financeira Moody’s reviu em alta a perspectiva soberana da África Subsaariana, de estável para positiva, destacando o impacto das reformas económicas adoptadas em vários países, a melhoria das condições de financiamento e a valorização das matérias-primas.
A revisão, divulgada quarta-feira, 7 de Outubro, reflecte, segundo a agência, uma maior capacidade das economias da região para resistirem às pressões inflacionistas e enfrentarem choques económicos, num contexto de melhoria da liquidez e de acesso aos mercados financeiros.
Angola entre os países com perspectiva positiva
Angola surge entre os oito países da África Subsaariana que apresentam actualmente perspectiva positiva na avaliação da Moody’s, ao lado da África do Sul, Namíbia, Nigéria, Togo, Gana, República do Congo e Zâmbia.
A perspectiva positiva constitui um sinal favorável na avaliação do risco soberano de Angola, embora não represente, por si só, uma subida imediata da classificação de crédito atribuída ao país.
Dos 25 países da África Subsaariana acompanhados pela Moody’s, apenas Botswana e Maurícias mantêm actualmente uma classificação considerada investment grade, correspondente a um nível relativamente baixo de risco de crédito.
Outros 13 países apresentam perspectiva estável, enquanto quatro — Maurícias, Gabão, Mali e Senegal — têm perspectiva negativa.
Crescimento regional deverá atingir 4,3%
A Moody’s prevê que as economias da África Subsaariana cresçam, em média ponderada, 4,3% tanto em 2026 como em 2027.
A agência considera que a recuperação das condições financeiras, a implementação de reformas económicas e o desempenho favorável dos preços das matérias-primas deverão continuar a apoiar a actividade económica na região.
Os países produtores de matérias-primas têm beneficiado directamente da valorização dos preços, enquanto o melhor acesso aos mercados de financiamento contribuiu para reduzir parte dos riscos de liquidez.
A melhoria das condições financeiras deverá também reflectir-se nas necessidades de financiamento dos governos da região.
Segundo a Moody’s, o financiamento necessário para cobrir défices orçamentais e refinanciar dívida com vencimento deverá representar 11,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, abaixo do pico de 12,3% registado em 2025.
A agência prevê igualmente que a dívida pública total da região estabilize em 56,6% do PIB em 2027, depois de ter atingido 62,4% em 2025.
A evolução, contudo, deverá ser desigual. Zâmbia e Etiópia deverão registar as maiores reduções dos níveis de endividamento, enquanto Botswana, penalizado pela fraca procura mundial de diamantes, e Gabão, confrontado com dificuldades no controlo da despesa pública, deverão apresentar os maiores aumentos da dívida.
Serviço da dívida continua a ser um risco
Apesar da melhoria das perspectivas, a Moody’s mantém reservas quanto à sustentabilidade das finanças públicas dos países da região.
Os elevados encargos com o serviço da dívida, as reduzidas receitas dos governos, os riscos associados às alterações climáticas e as ameaças à segurança regional continuam a constituir importantes vulnerabilidades.
Quénia e Zâmbia deverão destinar cerca de 35% das receitas governamentais ao pagamento de juros em 2027, o nível mais elevado entre os países analisados pela agência.
A Moody’s alerta ainda que uma inflação persistentemente elevada, fenómenos meteorológicos extremos ou uma retirada súbita dos investidores dos mercados obrigacionistas africanos poderão inverter a melhoria actualmente observada nas condições financeiras.
Apesar dos riscos, a agência considera que a combinação de reformas económicas, maior liquidez, melhores condições de financiamento e preços favoráveis das matérias-primas criou condições para uma melhoria do perfil de crédito soberano da África Subsaariana.
Para Angola, a manutenção de uma perspectiva positiva coloca o país entre as economias da região cuja trajectória de risco soberano é actualmente avaliada de forma mais favorável pela Moody’s, embora a agência mantenha a distinção entre a perspectiva e a classificação de crédito propriamente dita.