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Guiné-Bissau garante que continua a cooperar com Banco Mundial

O primeiro-ministro de transição guineense, Ilídio Vieira Té, desmentiu ontem, segunda-feira, dia 23, que haja corte de relações entre o Banco Mundial (BM) e o país, afirmando que existe “uma cooperação técnica e avaliação normal” com os parceiros financeiros internacionais.

O governante falava aos jornalistas num balanço dos primeiros 100 dias do Governo de transição, instituído com o golpe de Estado militar de 26 de Novembro do ano passado. Entre várias considerações, Ilídio Vieira Té afirmou que o Executivo não consegue resolver, em 100 dias, os “problemas estruturantes de décadas” que a Guiné-Bissau tem, mas afirmou que o mesmo já demonstrou “o caminho que quer seguir.”

Um dos caminhos, disse Ilídio Vieira Té, é a melhoria das relações com os parceiros internacionais, nomeadamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o BM. A instituição financeira global anunciou, em Janeiro, ter suspendido todas as operações e financiamentos ao país, no seguimento do golpe de Estado, e que estava a “monitorizar atentamente” a situação no país. “O Banco Mundial está a monitorizar atentamente a situação na Guiné-Bissau”, disse uma fonte oficial em resposta a questões da agência Lusa, na qual confirma que os desembolsos e os projectos foram suspensos neste país lusófono africano.

“Não existe o abandono da Guiné-Bissau por parte do BM. Existe cooperação técnica e avaliação normal entre parceiros internacionais”, explicou o primeiro-ministro. Ilídio Vieira Té referiu-se também ao FMI para destacar a recente avaliação do desempenho macroeconómico, em que, segundo o organismo, o país alcançou recentemente um acordo técnico que vai permitir receber um desembolso de 3,3 milhões de dólares.

O acordo, no âmbito do programa de ajustamento financeiro, está ainda sujeito à aprovação da direcção da instituição. Os militares alegaram como fundamento a iminência de uma guerra civil.

Recorde-se que os oficiais do exército de Guiné-Bissau tomaram, a 26 de Novembro de 2025, o poder através de um golpe de Estado, na véspera do anúncio dos resultados das eleições gerais.

Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Africana (UA) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.

A CPLP cancelou uma missão de bons ofícios que tinha agendado para de 17 a 21 de Fevereiro deste ano, depois da troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, que assumiu temporariamente a presidência da organização, anteriormente detida pelo país africano.

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