
Felisberto Navalha é o novo governador do Banco de Moçambique
O economista Felisberto Dinis Navalha foi ontem, terça-feira, dia 1, nomeado governador do Banco de Moçambique pelo Presidente da República, Daniel Chapo, numa inesperada reviravolta que alterou, em menos de 24 horas, a composição da nova liderança do banco central.
A decisão ocorreu depois de o Chefe do Estado ter revogado a nomeação de Waldemar Fernando de Sousa, que na véspera havia sido indicado para substituir Rogério Zandamela na liderança da instituição. Navalha, inicialmente escolhido para o cargo de vice-governador, foi promovido a governador, enquanto Benedita Manuel Guimino foi nomeada para a vice-governação.
Num comunicado divulgado hoje, a Presidência da República justificou a alteração com “questões supervenientes”, sem, contudo, especificar quais foram os factos novos que determinaram a revogação dos despachos anteriores. A expressão utilizada oficialmente sugere que circunstâncias conhecidas depois da primeira decisão terão levado o Presidente a reconsiderar a escolha.
A mudança aconteceu num contexto de crescente escrutínio sobre Waldemar de Sousa. Poucas horas depois de anunciada a sua nomeação, órgãos de comunicação social moçambicanos recuperaram informações sobre o seu envolvimento num processo autónomo relacionado com o caso das Dívidas Ocultas.
De acordo com a publicação online moçambicana ‘Carta de Moçambique’ “o Presidente da República terá sido mal assessorado pela Conselheira de Assuntos Jurídicos e Constitucionais, Beatriz Buchile, ex-Procuradora-Geral da República, no processo das nomeações no Banco de Moçambique.”
Refira-se que Waldemar de Sousa, antigo administrador do Banco de Moçambique, é arguido num processo relacionado com irregularidades financeiras no âmbito do escândalo que envolveu empréstimos superiores a dois mil milhões de dólares contraídos por empresas públicas moçambicanas à revelia do parlamento. O processo, que veio a lume em 2014, envolve também outros antigos responsáveis do banco central.