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Angola prepara entrada no mercado mundial do nióbio com investimento de 136,6 milhões de dólares

Angola deverá iniciar ainda este ano a exploração de nióbio na província da Huíla, tornando-se o primeiro país africano e apenas o terceiro no mundo a produzir este minério estratégico, depois do Brasil e do Canadá.

O arranque da exploração está previsto para o município de Quilengues, onde se localiza o Complexo Carbonatito de Bonga e Tchivira, no sul do país. O anúncio foi feito segunda-feira, em Luanda, pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, à margem da cerimónia comemorativa dos 32 anos do bloco petrolífero 15.

O governante visitou, no fim-de-semana, o complexo mineiro onde deverá ser realizada a extracção do nióbio e destacou o potencial do projecto para a diversificação da economia angolana.

Considerado um minério estratégico, o nióbio é utilizado para reforçar ligas metálicas e aços, sendo aplicado em sectores como a indústria aeroespacial, automóvel, produção de turbinas, siderurgia e construção civil.

Actualmente, a produção mundial está concentrada no Brasil e no Canadá, com o Brasil a deter cerca de 90% das reservas conhecidas. Esta concentração faz do nióbio um recurso considerado crítico para a economia mundial.

“Quase 90% das reservas conhecidas mundialmente estão num único país, o Brasil, e isso torna-o um mineral crítico para o mundo. Nós, ao entrarmos na produção deste mineral, passaremos a fazer parte desse clube muito restrito”, afirmou Diamantino Azevedo.

Para o ministro, a exploração em Quilengues poderá representar uma nova etapa no desenvolvimento económico da Huíla e de Angola. “A partir de Quilengues vai começar a fazer-se história para o desenvolvimento de Angola”, afirmou.

Investimento de 136,6 milhões de dólares

O potencial de nióbio na região foi identificado há vários anos por professores e estudantes da Faculdade de Ciências, que detectaram a presença do minério nas serras da Bonga e da Chivila.

Em 2020, as autoridades angolanas autorizaram a prospecção e exploração do recurso pela empresa chinesa Sociedade NIOBONGA – Comércio Geral. O projecto prevê um investimento estimado em 136,6 milhões de dólares.

Dados oficiais indicam que a fase de prospecção já permitiu a extracção de cerca de 40 mil toneladas de nióbio.

A concessão cobre uma área de aproximadamente 400 quilómetros quadrados nas serras da Bonga e da Chivila e tem um período inicial de 22 anos, renovável até um máximo de 40 anos de exploração contínua.

Apesar de apontar 2026 como o ano de início da produção, o ministro não indicou uma data concreta para o começo da exploração comercial.

Cerca de 1.200 postos de trabalho

O projecto já terá produzido impactos económicos e sociais na região, segundo Diamantino Azevedo. Até ao momento, foram criados cerca de mil postos de trabalho directos e 200 indirectos, com uma participação significativa de jovens das comunidades locais.

A exploração está igualmente associada a iniciativas de responsabilidade social, incluindo a construção de uma escola, habitações para o realojamento das populações e uma albufeira destinada a garantir o abastecimento de água ao projecto, infra-estrutura que poderá também beneficiar as comunidades vizinhas.

O Governo trabalha ainda com o Ministério da Energia para garantir o fornecimento de electricidade a partir de fontes hidroeléctricas. Segundo o ministro, a solução poderá permitir que a energia disponibilizada ao projecto seja igualmente estendida às populações da região.

A implementação do empreendimento implicou o deslocamento e realojamento de cerca de 400 famílias. Segundo autoridades locais citadas pela Angop, cada família recebeu uma indemnização de dois milhões de kwanzas, equivalente a menos de 1.900 euros.

Com o arranque da produção, Angola pretende entrar num mercado mundial dominado por um número reduzido de produtores e transformar as suas reservas de nióbio numa nova fonte de receitas e de diversificação económica, num contexto de crescente procura por matérias-primas destinadas às indústrias de alta tecnologia e a sectores considerados estratégicos.

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