
Angola aposta na natureza para prevenir futuras pandemias
Angola está a avançar na preparação do seu projecto nacional no âmbito da iniciativa Nature4Health (N4H), um programa internacional que procura reduzir o risco de futuras epidemias e pandemias através da prevenção das causas ambientais que podem favorecer a transmissão de agentes patogénicos entre animais e seres humanos.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Governo angolano e representantes de várias organizações reuniram-se em Luanda, para definir as prioridades e conceber o projecto de implementação do N4H em Angola. A iniciativa conta actualmente com um financiamento inicial de 250 mil dólares, devendo atingir um valor global de 2,5 milhões de dólares durante três anos. De acordo com o PNUD, o projecto angolano deverá ficar concebido até Maio de 2027, estando prevista a entrada na fase de implementação até ao final do mesmo ano.
Prevenir antes de responder
A principal novidade da abordagem Nature4Health é a aposta na prevenção na origem, em vez de concentrar os esforços exclusivamente na detecção e resposta depois de uma doença ter surgido.
A iniciativa adopta o conceito de “Uma Só Saúde” (One Health), segundo o qual a saúde humana está directamente ligada à saúde dos animais, das plantas e dos ecossistemas. O objectivo é compreender os factores ambientais e sociais que podem aumentar o risco de transmissão de doenças e actuar sobre eles antes que ocorra a chamada transmissão zoonótica, ou spillover.
A especialista de natureza, clima e ambiente do PNUD e membro da coordenação do N4H Angola, Adjany Costa, explicou que o projecto procura “dar um passo atrás”, procurando perceber como impedir que uma doença chegue a ser transmitida aos seres humanos.
Entre as preocupações identificadas estão doenças como Marburg, Ébola, dengue e malária, embora a definição das prioridades concretas dependa da avaliação dos riscos e das áreas consideradas mais vulneráveis em Angola.
Biodiversidade como instrumento de saúde pública
A escolha de Angola para a segunda fase da iniciativa está relacionada, entre outros factores, com a sua elevada biodiversidade. O Nature4Health considera Angola um dos países africanos com maior biodiversidade, com mais de 2.000 espécies distribuídas por 15 ecorregiões. Ao mesmo tempo, secas, cheias, alterações climáticas e degradação ambiental podem aumentar a vulnerabilidade dos ecossistemas e criar condições favoráveis à emergência de doenças zoonóticas e transmitidas por vectores.
Neste contexto, a conservação da natureza deixa de ser encarada apenas como uma questão ambiental e passa também a ser considerada uma ferramenta de prevenção sanitária.
A lógica é relativamente simples: ecossistemas mais equilibrados podem reduzir determinados factores que favorecem o contacto de pessoas, animais domésticos e fauna selvagem, diminuindo assim algumas oportunidades de transmissão de agentes infecciosos.