
Corredor do Lobito vai ter mapeamento de alto resolução
O Governo angolano vai realizar um mapeamento de “alta resolução” ao longo do Corredor do Lobito, um dos principais eixos logístico e ferroviário do país, no âmbito da iniciativa Ango-corredores lançada ontem, quinta-feira, dia 2, na província de Benguela.
O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, na província de Benguela, onde se localiza o Corredor do Lobito, um eixo logístico e ferroviário que liga o Porto do Lobito, na costa atlântica angolana, às províncias do Huambo, do Bié e do Moxico, estendendo-se até à República Democrática do Congo (RDC), com futura expansão prevista para a Zâmbia.
No seu discurso, o dirigente referiu que o Agro-corredores é uma plataforma para congregar investimentos públicos e privados, de programas do Governo, parceiros de desenvolvimento e instituições financeiras.
“Decidimos iniciar esta jornada pelo Corredor do Lobito. Esta escolha não é mero acaso”, apontou o ministro, acrescentando que esse eixo logístico e ferroviário “representa uma das mais importantes infra-estruturas económicas da África Austral e oferece uma oportunidade única para transformar o potencial agrícola das províncias que atravessa em riqueza, emprego e desenvolvimento.”
Segundo Isaac dos Anjos, o levantamento ao longo do Corredor do Lobito vai cobrir aproximadamente 100 quilómetros para cada lado da linha férrea, numa extensão de cerca de 1500 quilómetros.
O titular da pasta da Agricultura e Florestas de Angola sublinhou que este exercício visa identificar áreas de produção, recursos naturais, sistemas de irrigação, infra-estruturas existentes, pólos agroindustriais, oportunidades de investimento e zonas prioritárias para intervenção.
“Pretendemos que as decisões futuras sejam tomadas com base em informação sólida, evidências concretas e planeamento estratégico”, declarou.
O objectivo, acrescentou Isaac dos Anjos, é “fazer com que os investimentos em estradas, caminhos-de-ferro, irrigação, energia, assistência técnica, mecanização, agroindústria, armazenamento e financiamento actuem de forma coordenada para gerar maior impacto económico e social”.
O ministro sublinhou que não se trata de um novo projecto, mas de um mecanismo de coordenação e integração para permitir alinhar esforços já existentes e mobilizar novos investimentos para acelerar a transformação do sector.
O governante angolano destacou que foi criada a Unidade de Integração de Políticas Públicas e Coordenação da Transformação dos Sistemas Agrícolas e Sistemas Agro-alimentares, responsável pelo acompanhamento e coordenação das acções dos principais projectos agrícolas financiados pelos parceiros multilaterais ao longo dos corredores económicos do país.
Refira-se que Angola conta nos esforços de desenvolvimento deste sector com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento, do Banco Mundial, do Fundo Internacional de
Desenvolvimento Agrícola, da União Europeia, da Agência de Cooperação Internacional do Japão, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projectos.