
Corredor do Lobito: Consultor prevê aumento da capacidade de transporte
O sócio fundador da Eaglestone, um dos consultores financeiros do consórcio Lobito Atlantic Railway, considera que o financiamento de 753 milhões de dólares para o Corredor do Lobito, assinado em Dezembro do ano passado, em Washington, vai aumentar em 10 vezes a capacidade de transporte, para aproximadamente 4,6 milhões de toneladas métrica por ano, e reduzir o custo do transporte de minerais críticos em cerca de 30 por cento.
Nuno Gil falava à Lusa e afirmou que o pacote de financiamento “é um marco para a Lobito Atlantic Railway (LAR), um projecto infraestrutural regional emblemático que vai reabilitar, melhorar e operar os 1.300 quilómetros de linha férrea”.
Para além dos benefícios em termos de comércio e logística, o projecto deverá também garantir “um impacto substancial no desenvolvimento, incluindo a criação de emprego durante a construção e operação da linha, e desenvolvimento de mão de obra qualificada, melhoria nos padrões de segurança e oportunidade de longo prazo para as comunidades ao longo do corredor”, apontou.
Questionado sobre as vantagens para as populações angolanas que vivem ao longo do trajecto ferroviário, Nuno Gil disse que toda a economia local deverá melhorar.
“A criação de um corredor económico ao longo do trajecto entre o Lobito e a fronteira com a República Democrática do Congo é possível, há várias entidades a apoiar o gGoverno de Angola nesse sentido”, disse Nuno Gil, salientando que o acordo de financiamento agora assinado refere-se apenas à gestão da linha férrea.
A consultora portuguesa foi nomeada, a par da Coporação Financeira Africana, consultora financeira do consórcio que ganhou a concessão da linha de ferro, Nuno Gil explicou que deverá haver uma dinamização da actividade económico ao longo da linha férrea, algo que não acontecia até agora.
“Quando há eixos viários, há uma série de polos industriais e económicos que se vão criando, não em termos de carga propriamente dita, mas do ponto de vista da economia, por isso o impacto será muito superior ao do mero transporte de longa distância, que se traduz em rendimentos e impostos para o Estado, mas não dinamiza as economias locais”, afirmou o gestor.
A reabilitação e concessão da linha férrea foi ganha pelo consórcio LAR, composto pela portuguesa Mota-Engil, a suíça Trafigura e a Venturis, um operador ferroviário.
Por sua vez, o vice-presidente da Mota-Engil, Manuel Mota, citado num comunicado a que a Lusa teve acesso, considera que a assinatura do acordo de financiamento “não só permite mais investimento no projecto, como reforça a confiança na capacidade institucional de Angola para atrair interesse para iniciativas de infra-estruturas de classe mundial”.