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António José Seguro é o novo presidente de Portugal

António José Seguro venceu a segunda volta das eleições presidenciais realizadas ontem, domingo, dia 8, com 66,82% dos votos e 3,48 milhões de eleitores, contra 33,18% de André Ventura, que cativou 1,72 milhões de eleitores.

Esta foi a segunda vez na história da democracia portuguesa que foi necessária uma segunda volta para apurar o vencedor de umas eleições presidenciais.

Em termos absolutos, Seguro foi eleito com o maior número de votos de sempre, batendo Mário Soares nas eleições de 1991.

Os votos em branco totalizaram 3,17% e os nulos 1,78%.

Estes resultados estão, todavia, incompletos. Devido ao mau tempo das últimas semanas, a votação foi adiada em todas as freguesias de três concelhos (Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã) e, também, em duas freguesias de Santarém, outras tantas de Rio Maior, uma freguesia nos concelhos de Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos. De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, são afectados 36.852 eleitores, que votarão a 15 de Fevereiro.

Presidente de todos os portugueses

“Serei o Presidente de todos, todos, todos os portugueses”, disse Seguro no seu discurso de vitória, destacando que respeita tanto os que votaram nele como os que não votaram. O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa prometeu focar-se na modernização e na justiça social: “Um país que avança sem deixar ninguém para trás”, garantiu.

O Presidente eleito sublinhou ainda a sua postura independente e responsável: “Jamais serei um contrapoder. A estabilidade política que defendo é um meio para garantir estabilidade e não um fim para manter tudo na mesma. A minha liberdade é a garantia da minha independência”. Garantiu que estará vigilante, fará “as perguntas difíceis e exigirá respostas”, acrescentando que “os interesses ficam à porta” de Belém.

Seguro deixou também uma saudação a Marcelo Rebelo de Sousa e a todos os Presidentes anteriores: “Cada um, no seu tempo e estilo, serviu o país com devoção e compromisso com o interesse nacional e a democracia. Terei o mesmo compromisso, mas com o meu próprio estilo.”

O Presidente eleito sublinhou ainda que a ausência de actos eleitorais nacionais nos próximos três anos retira qualquer pretexto para paralisia governativa: “Não há desculpas. Portugal tem uma oportunidade única para avançar”. E apelou ao Parlamento e ao Governo a focarem-se na execução de reformas e na resolução de bloqueios estruturais: “Serei leal e haverá cooperação institucional profícua para encontrar soluções para resolver os problemas dos portugueses”.

Ventura garante que vai governar em breve

O candidato derrotado, apoiando pelo partido Chega, André Ventura, embora reconhecendo a derrota, sublinhou o carácter “histórico” do resultado. “Vamos em breve governar este país”, afirmou, lembrando que conseguiu subir cerca de 30% em relação à primeira volta e angariou mais 300 mil votos do que nas últimas legislativas. “Superámos a aliança da AD nas legislativas

e é justo dizer que, não tendo vencido, os portugueses colocaram-nos neste caminho de governar o país”, acrescentou Ventura, destacando que “liderámos e vamos liderar a direita em Portugal”. Apesar do objectivo de vencer não se ter concretizado, Ventura considerou que esta foi “a força com o maior resultado de sempre na nossa história.”

O candidato felicitou António José Seguro e reconheceu a vitória do socialista: “O sucesso de Seguro à frente de Portugal é sucesso de todos”, desejando-lhe um “caminho de desenvolvimento e de prosperidade para o país”.

Ventura aproveitou para reforçar a continuidade do projecto político do Chega. “O resultado alcançado nesta segunda volta permite continuar o caminho de luta contra as elites”, afirmou, acrescentando que “é um enorme estímulo para continuar a trabalhar no projeto de mudar Portugal.”

“O que me proponho é tão somente continuar nessa luta, a luta de um povo inteiro, contra as elites que sempre o tentaram destruir. O mesmo sonho de Sá Carneiro: o sonho de conseguir uma maioria que faça a diferença e a mudança”, concluiu, garantindo que o movimento é imparável e que “cedo ou tarde, Portugal vai mesmo mudar.”

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