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ANC lança campanha eleitoral com o foco na maioria absoluta

O Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês) lançou no sábado passado, dia 24, a sua campanha para as eleições gerais de 29 de Maio na África do Sul, estando, pela primeira vez, em risco de perder a maioria absoluta no parlamento devido ao clima socioeconómico.

No poder desde o início da democracia no país e da vitória de Nelson Mandela, em Abril de 1994, o ANC, do Presidente Cyril Ramaphosa, enfrenta também um aumento do descontentamento popular devido aos sucessivos escândalos de corrupção, a que se junta um contexto de desemprego endémico e de desigualdades cada vez maiores.

O partido continua, no entanto, a ter uma máquina eleitoral forte e ainda conta com o apoio de muitos sul-africanos que se lembram, com orgulho, do papel crucial do ANC na luta contra o regime segregacionista do apartheid que vigorou na África do Sul entre 1948 e 1992.

“Nos próximos três meses, explicaremos a milhões dos nossos concidadãos porque o ANC continua a ser a melhor escolha para as eleições de 2024”, disse Ramaphosa, de 71 anos, perante várias dezenas de milhares de apoiantes reunidos num estádio nos arredores de Durban, capital de KwaZulu-Natal, no leste do país.

O fantasma de perder pela primeira vez a maioria absoluta

“Daqui a 50 anos, o legado do colonialismo do apartheid e do patriarcado, ainda predominante na África do Sul, pertencerá à História”, assegurou.

O chefe de Estado também prometeu que os candidatos do ANC às eleições de Maio serão sujeitos a um escrutínio cuidadoso da sua integridade.

Dezenas de milhares de pessoas, vestindo as cores amarela e verde do partido, participaram nesta primeira reunião de campanha do ANC numa atmosfera festiva.

Com direito a voto existem mais de 27 milhões de pessoas numa população de 62 milhões de habitantes. A eleição de dia 29 de Maio irá escolher um novo parlamento, que, por sua vez, elegerá o próximo Presidente.

De acordo com as sondagens de opinião, o ANC poderá perder a sua maioria absoluta na Assembleia Nacional e ser forçado a formar um Governo de coligação, o que, a acontecer, seria inédito.

A província do KwaZulu-Natal, a mais populosa do país, é um reduto histórico do ANC, mas o principal partido da oposição, a Aliança Democrática (DA, sigla em inglês), tem efectuado muitas acções na região, tendo criado uma coligação com 10 pequenos grupos políticos para derrotar o adversário.

O movimento é seguido de perto nas sondagens pelo partido de esquerda radical Combatentes pela Liberdade Económica (EFF, sigla em inglês), do truculento Julius Malema.

Zuma como adversário

Todavia, o maior opositor do ANC no KwaZulu-Natal é o antigo Presidente Jacob Zuma (2009-2018), ex-pilar do partido histórico da África do Sul que criou, recentemente, um novo partido.

Nascido nesta região, o ex-Presidente, de 81 anos, anunciou em Dezembro que estava a fazer campanha por um pequeno partido radical chamado Umkhonto We Sizwe (MK), o que levou o ANC a anunciar imediatamente a sua suspensão.

Jacob Zuma foi atacado pelos apoiantes do ANC, que fizeram desfilar pelo estádio um caixão em representação da morte prematura do seu novo partido. “Zuma representa a maior ameaça ao ANC em KwaZulu-Natal”, disse Zakhele Ndlovu, professor de política na Universidade de KwaZulu-Natal, em declarações à agência francesa de notícias AFP.

Os dois partidos da oposição, que já lançaram as suas campanhas, apostam em promessas de criação de emprego, de redução de uma das taxas de criminalidade mais elevadas do planeta e do fim de uma grave crise na eletricidade, que está a pesar sobre a economia da maior potência industrial do continente.

A África do Sul registou quase 84 assassinatos por dia entre Outubro e Dezembro, de acordo com os mais recentes dados policiais e, três meses antes das eleições, a taxa de desemprego voltou a subir para 32,1%.

Actualmente, o ANC detém 230 dos 400 assentos parlamentares (57,50%), enquanto o DA e a EFF têm 84 e 44 lugares, respectivamente.

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