
Papa denuncia colonização dos recursos minerais de África na visita à Guiné-Equatorial
O Papa Leão XIV chegou, na manhã de ontem, terça-feira, dia 21, à Guiné-Equatorial, última etapa do périplo africano. O Sumo Pontífice denunciou a colonização dos recursos minerais africanos e a “sede de poder” num país liderado por Teodoro Obiang Nguema desde 1979 – o chefe de Estado, no mundo inteiro, há mais tempo no poder.
Após visitar a Argélia, os Camarões e Angola, o primeiro acto do papa na Guiné- Equatorial foi uma reunião com Obiang. Este foi precisamente o mesmo Presidente que, em 1982, deu as boas-vindas a João Paulo II, que tinha sido, até então, o último chefe da Igreja Católica a visitar esta nação africana.
Salientando que o encontro ocorreu no primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, Leão XIV citou o falecido pontífice ao denunciar as desigualdades de rendimento que, segundo ele, foram exacerbadas por uma economia global focada na busca do lucro a qualquer custo. “Tal economia mata”, disse o Papa.
“Na verdade, é ainda mais evidente hoje do que em anos anteriores que a proliferação de conflitos armados é frequentemente impulsionada pela colonização de depósitos de petróleo e minerais, ocorrendo sem qualquer consideração pelo direito internacional ou pela autodeterminação dos povos”, acrescentou.
Os encontros do Papa tiveram lugar no antigo palácio presidencial. O Governo construiu uma nova capital no continente, chamada Cidade da Paz, mas a transferência dos edifícios governamentais ainda não está concluída.
Os críticos disseram que a mudança iria agravar as desigualdades e dar mais oportunidades para o círculo presidencial enriquecer.
A Cidade de Deus como modelo
Leão XIV não mencionou a corrupção associada à família Obiang nem as críticas à nova capital. Mas sugeriu que a Guiné Equatorial deveria olhar para a obra de Santo Agostinho, “A Cidade de Deus” como um modelo. “A cidade terrena centra-se no orgulho e no amor próprio, na sede de poder e glória mundana que conduz à destruição”, disse o Papa. “É essencial discernir a diferença entre o que dura e o que passa, mantendo-se livre da procura de riquezas injustas e da ilusão de domínio”, acrescentou.
A única ex-colónia espanhola na costa ocidental de África é governada pelo Presidente há mais tempo no cargo no mundo e que tem sido acusado de corrupção generalizada e autoritarismo.
Na Guiné-Equatorial, a única ex-colónia espanhola na África Subsaariana, descobriu petróleo em águas profundas em meados da década de 1990 transformando totalmente a economia do país. O petróleo representa agora quase metade do produto interno bruto (PIB) do país e mais de 90% das exportações, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
No entanto, mais de metade dos quase dois milhões de habitantes do país, que é o mais recente membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vive na pobreza.