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As viagens dos papas por África: do pioneiro Paulo VI passando pelo Globe Trotter João Paulo II até ao informal Francisco

Papa Paulo VI

Até à década de 1960, os chefes da Igreja Católica raramente viajavam. Se sair do Vaticano já era um acontecimento, viajar para o desconhecido continente africano era uma epopeia. Paulo VI foi o primeiro a contrariar esta tendência, sendo o primeiro papa reinante a visitar África.

 

O Uganda havia conquistado a independência apenas sete anos antes, em 1962. Entre outras actividades, Paulo VI fez uma peregrinação ao Santuário dos Mártires do Uganda em Namugongo. Durante a sua visita, vinte e dois mártires católicos foram canonizados.

Durante o seu pontificado, o Papa italiano visitaria ainda mais um país africano, o gigante Congo, na altura governado por Mobutu Sese Seko. Teve encontros com líderes políticos e religiosos e serviu para reforçar a presença da Igreja Católica no Continente.

 

Papa João Paulo II

O Papa João Paulo II, o único polaco da história, foi o primeiro líder da Igreja Católica verdadeiramente globe- trotter, tendo amplamente viajado pelo mundo inteiro e também por África durante o seu longo pontificado de mais de 26 anos. A sua primeira viagem foi em 1980 à República Democrática do Congo, Quénia, Gana, Burquina-Faso e Costa do Marfim, tendo a duração de 11 dias.

Em Ouagadougou, capital do Burquina-Faso, apelou à ajuda internacional devido a uma seca devastadora. As doações lançaram as bases da Fundação João Paulo II para o Sahel em 1984. Criticou o marxismo como ideologia e elogiou o entusiasmo religioso encontrado. No último dia disse: “Há uma grande tentação de destruir em vez de construir… enquanto os pobres suspiram pela paz.”

Em 1982 deslocou-se à Nigéria, Benim, Gabão e Guiné-Equatorial. A segunda viagem ocorreu nove meses após uma tentativa de assassinato, em Maio de 1981, em Roma.

No Benim, ouviu o presidente falar sobre a “luta socialista”. Depois celebrou missa para cerca de 20.000 pessoas. Na Nigéria, disse que a visita lhe deixou uma “memória inesquecível”. Em Kaduna, apelou à unidade entre cristãos e muçulmanos.

Em 1985, foi a vez de visitar o Togo, Costa do Marfim, Camarões, República Centro-Africana, RDC, Quénia, Marrocos. Abençoou a maior igreja do mundo: a Basílica de Nossa Senhora da Paz, em Yamoussoukro, na Costa do Marfim. Defendeu uma fé “autenticamente cristã e autenticamente africana.”

Em 1988, visitou a África Austral, dominada pelas tensões do apartheid, percorrendo o Zimbabwe, Botswana, Lesoto, Essuatíni e Moçambique.

O papa condenou o apartheid “uma civilização de justiça, paz e amor exige o reconhecimento da dignidade de cada ser humano.”

Em 1989, foi a vez de visitar o Madagáscar, Reunião, Zâmbia e Malawi.

Entretanto a Igreja crescia rapidamente em África — cerca de 2,5 milhões de novos fiéis só em 1989.

Em 1990, foi a vez dos lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau e ainda Mali, Burkina- Faso, Chade, Tanzânia, Burundi, Ruanda e Costa do Marfim. Na Tanzânia, destacou a necessidade de cooperação no combate ao SIDA.

Em 1992, deslocou-se ao Senegal, Gâmbia, República da Guiné (Conacri) e Angola, sendo o primeiro Sumo Pontífice a visitar este último país, coincidindo com os 500 anos da chegada do cristianismo.

Em 1993, foi a vez do Benim, Uganda, Sudão. O papa rejeitou a imposição da lei islâmica a cristãos no Sudão.

Em 1995, Camarões, África do Sul, Quénia, tendo como ponto alto o encontro com Nelson Mandela. Chamou à África do Sul uma “nação arco-íris”.

Em 1998, visitou a populosa Nigéria, onde defendeu os direitos humanos sob o regime de Sani Abacha.

Em 2000, finalizou as suas deslocações ao continente africano com uma visita ao Egipto.

Papa Bento XVI

O Papa alemão foi bem mais comedido nas viagens, tendo em 2009 visitado os Camarões e Angola, tendo apelado à paz após a guerra civil em Angola. Mas gerou polémica ao rejeitar o uso de preservativos no combate ao HIV/SIDA.

Em 2011, esteve no Benim, a última visita a África, num período de rápido crescimento da Igreja.

Papa Francisco

Em 2015, o Papa Argentino deslocou-se ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana. Levou uma mensagem de paz, justiça social e diálogo com o Islão.

Em 2017, foi o segundo Papa a deslocar-se ao Egipto, onde apoiou a minoria cristã copta e dialogou com líderes islâmicos.

Em 2019, em Marrocos, defendeu a tolerância religiosa e direitos dos migrantes, tendo alertado contra o proselitismo.

Em 2019, teve como destino a África Austral: Moçambique, Madagáscar e as Ilhas Maurícias, tendo condenado a corrupção e apelado à paz e à justiça social. Em Madagáscar, destacou a protecção ambiental.

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