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Moçambique quer ligar o Lobito aos portos da Beira e de Nacala através de plataforma lusófona

Moçambique propôs a criação de uma plataforma de investimento dedicada ao desenvolvimento de corredores logísticos nos países africanos de língua portuguesa, com o objectivo de estabelecer uma ligação entre o corredor do Lobito, em Angola, e os portos da Beira e de Nacala, em território moçambicano.

A iniciativa foi apresentada ontem, segunda-feira, dia 26, pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Salim Valá, durante o 2.º Fórum de Investimento da África Lusófona, que decorre na ilha do Sal, em Cabo Verde.

O governante defendeu a criação de uma plataforma lusófona de investimento em corredores de desenvolvimento, envolvendo os países de língua portuguesa e a Corporação Financeira Internacional (IFC, sigla em inglês), com o propósito de partilhar experiências bem-sucedidas, identificar oportunidades e preparar projectos capazes de atrair financiamento.

Na sua intervenção, Salim Valá sublinhou que a aposta não deve limitar-se à construção e modernização de infra-estruturas portuárias, devendo abranger também as actividades económicas que estas permitem desenvolver. “Não se invista apenas nos portos: deve investir-se no que eles tornam possível”, afirmou.

A proposta enquadra-se no debate sobre a transformação dos corredores logísticos em motores de desenvolvimento económico, através da criação de emprego, do surgimento de novas empresas e do reforço das actividades produtivas nas regiões abrangidas.

A perspectiva foi igualmente defendida pelo ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas d’Abreu, que manifestou a ambição de estender a influência do corredor do Lobito até ao oceano Índico, através das infra-estruturas de transporte da Beira ou de uma ligação pela Tanzânia.

O governante angolano considerou que o fórum poderá produzir resultados mais concretos se permitir identificar oportunidades de negócio e acompanhar a sua concretização. Como exemplo, apontou uma plataforma geoespacial em linha, desenvolvida para identificar o potencial económico ao longo do corredor do Lobito, que já permitiu detectar 144 oportunidades de investimento.

Ricardo Viegas d’Abreu criticou, por outro lado, a concorrência entre corredores logísticos africanos, defendendo que as diferentes infra-estruturas devem funcionar de forma complementar, em benefício da integração económica regional. «Temos mesmo de dar as mãos», afirmou.

O 2.º Fórum de Investimento da África Lusófona reúne representantes governamentais, investidores e parceiros empresariais para aproximar oportunidades de negócio e fontes de capital, promover novas parcerias e reforçar as relações económicas entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e os mercados internacionais.

O encontro decorre sob o lema “Investir na África Lusófona: Potenciar corredores, desenvolver o agronegócio e impulsionar um turismo sustentável”, colocando os transportes, a produção agrícola e o turismo entre as áreas prioritárias para a mobilização de investimento privado.

De acordo com dados actualizados da IFC, a instituição mobilizou, nos últimos cinco anos, cerca de 1,2 mil milhões de dólares para dez projectos nos países africanos de língua portuguesa, procurando reforçar a participação do sector privado no desenvolvimento económico da região.

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