
Corredor do Lobito reúne oportunidades de negócio de 13 mil milhões de dólares
Angola identificou mais de 144 oportunidades de negócio, avaliadas em cerca de 13 mil milhões de dólares, no âmbito do Plano Director do Corredor do Lobito. As iniciativas abrangem 10 sectores de actividade em sete províncias angolanas e inserem-se na estratégia de diversificação da economia e de atracção de investimento privado.
Os dados foram avançados ontem, segunda-feira, dia 26, pelo ministro dos Transportes de Angola, Ricardo de Abreu, durante a sua intervenção no Fórum de Investimento da África Lusófona, realizado na Ilha do Sal, em Cabo Verde. O encontro debateu os desafios e as oportunidades de desenvolvimento das infra-estruturas africanas, com particular incidência na criação de emprego e na diversificação económica.
De acordo com o governante, o Corredor do Lobito começa a produzir resultados concretos, tanto ao nível da operação ferroviária e do transporte de mercadorias como na mobilização de investimentos para outras áreas da economia. As oportunidades identificadas vão além dos transportes e da logística, abrangendo sectores considerados estratégicos para a segurança alimentar e energética, a transformação económica e a transição digital.
Ricardo de Abreu salientou que o Executivo angolano está a apostar num modelo de desenvolvimento que combina investimento público e capital privado, através de concessões e da criação de condições institucionais, legais e regulatórias destinadas a reforçar a segurança jurídica dos investidores. Neste domínio, Angola concluiu já seis concessões, enquanto prossegue a preparação e o desenvolvimento de outros corredores logísticos, nomeadamente os do Norte, do Namibe e de Cabinda.
Integração económica regional
A dimensão regional do Corredor do Lobito constitui outro dos eixos da estratégia angolana. O projecto envolve Angola, a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia, procurando facilitar a circulação de mercadorias, dinamizar a actividade económica e estimular novas oportunidades de negócio nos três países.
De acordo com o ministro, foram identificadas 80 iniciativas em Angola e na RDC, associadas a investimentos e assistência técnica avaliados em cerca de 8,4 mil milhões de dólares. Deste conjunto, 45 iniciativas encontram-se em curso na região.
Para Ricardo de Abreu, o potencial destas infra-estruturas depende também da capacidade de transformar localmente os minerais e outros produtos transportados. O objectivo é evitar que os corredores funcionem apenas como vias de escoamento de matérias-primas, convertendo-os em instrumentos de industrialização, criação de valor acrescentado e desenvolvimento económico.
A estratégia prevê igualmente o reforço das ligações ferroviárias com outros países da África Austral, incluindo a Zâmbia, bem como a integração com corredores regionais que permitam melhorar a ligação entre o oceano Atlântico e o Índico.
Mais de 1.500 quilómetros de novas linhas ferroviárias
No âmbito da expansão da rede ferroviária nacional, o ministro destacou a preparação de um projecto de iniciativa pública destinado a interligar as linhas de Malanje e do Menongue, numa extensão de 738 quilómetros.
A este empreendimento juntam-se outros projectos ferroviários em desenvolvimento, incluindo ligações associadas aos corredores Norte-Sul e à integração regional. No conjunto, estas iniciativas representam oportunidades para a construção de mais de 1.500 quilómetros de linhas ferroviárias nos próximos anos.
O Executivo angolano pretende, através da expansão da rede ferroviária e da melhoria das infra-estruturas logísticas, reduzir os custos de transporte, aumentar a competitividade da economia e criar emprego sustentável, sobretudo para a população jovem.
Ricardo de Abreu defendeu, neste contexto, uma maior coordenação entre os governos, o sector privado, as instituições financeiras de desenvolvimento e os parceiros bilaterais e multilaterais, considerando essencial mobilizar recursos para projectos estruturantes e acelerar a diversificação económica de África.