
Angola convida Namíbia a entrar no capital da refinaria do Lobito
O Presidente angolano, João Lourenço, fez um convite dirigido à Namíbia para participar na estrutura accionista da refinaria do Lobito, actualmente em construção na província de Benguela, que terá capacidade para processar 200 mil barris de petróleo por dia.
O anúncio foi feito no final da assinatura de oito instrumentos de cooperação entre Angola e a Namíbia, abrangendo sectores como as pescas, o turismo, o desporto e a cultura. A cerimónia decorreu, ontem, segunda-feira, dia 19, no âmbito da primeira visita de Estado de dois dias da Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah, ao país vizinho.
João Lourenço recordou que Angola tem vindo a partilhar com a Namíbia a sua experiência nos domínios da pesquisa, produção e comercialização de petróleo. O país vizinho entrou recentemente no grupo dos países com descobertas petrolíferas, embora ainda não tenha iniciado efectivamente a produção.
Neste contexto, o Chefe de Estado angolano revelou que Windhoek foi convidada a integrar o capital da futura refinaria do Lobito, cuja capacidade de processamento permitirá produzir combustíveis refinados, nomeadamente gasóleo e gasolina, entre outros derivados.
Segundo João Lourenço, a entrada em funcionamento da unidade industrial permitirá a Angola satisfazer as necessidades do mercado interno e, simultaneamente, abastecer os países vizinhos. O Presidente sublinhou, contudo, que os países que participarem no capital da refinaria terão prioridade no acesso à sua produção.
O programa da visita de Netumbo Nandi-Ndaitwah inclui, hoje, terça-feira, uma deslocação à refinaria de Luanda, iniciativa que João Lourenço considera importante para demonstrar as vantagens da transformação local dos recursos naturais.
O Presidente angolano defendeu que a conjuntura internacional, marcada pelos conflitos na Europa e no Médio Oriente, reforçou a necessidade de os países produtores de petróleo investirem na capacidade de refinação, em vez de dependerem essencialmente da exportação de crude.
Na sua perspectiva, os países que dispõem de recursos petrolíferos devem apostar na transformação industrial, reduzindo progressivamente as vendas de petróleo bruto e aumentando a comercialização de produtos refinados, com maior valor acrescentado.
«Quem tem petróleo tem de ter refinarias», afirmou João Lourenço, acrescentando que alguns países, apesar de não produzirem petróleo, dispõem de capacidade de refinação.
Por seu lado, a Presidente da Namíbia considerou que a próxima etapa da cooperação bilateral deverá assentar numa abordagem diferente à exploração dos recursos naturais dos dois países.
Netumbo Nandi-Ndaitwah defendeu que Angola e a Namíbia, ambos ricos em recursos naturais, devem deixar de permitir que as suas riquezas sejam essencialmente exploradas e exportadas sob a forma de matérias-primas, privilegiando a transformação local e a criação de maior valor nas respectivas economias.