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Angola prevê 13 mil milhões de dólares para desenvolver indústria do gás

De acordo com os dados apresentados, cerca de sete mil milhões de dólares deverão ser aplicados no midstream, segmento que abrange o processamento, transporte e armazenamento dos recursos, enquanto os restantes seis mil milhões de dólares serão destinados ao downstream, relacionado com a transformação e comercialização dos produtos.

Angola prevê mobilizar cerca de 13 mil milhões de dólares para desenvolver a indústria do gás natural, através de um plano director que contempla a criação de cinco pólos industriais em diferentes regiões do país.

O Plano Director do Gás de Angola foi apresentado ontem, quinta-feira, dia 10, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), durante o segundo e último dia da Angola Oil & Gas (AOG) 2026, conferência que reúne em Luanda representantes de empresas e instituições do sector energético.

Os cinco pólos industriais previstos no plano estarão localizados em Cabinda, Soyo, Porto Amboim, Benguela e Namibe, com o investimento global distribuído por diferentes segmentos da cadeia de valor do gás.

De acordo com os dados apresentados, cerca de sete mil milhões de dólares deverão ser aplicados no midstream, segmento que abrange o processamento, transporte e armazenamento dos recursos, enquanto os restantes seis mil milhões de dólares serão destinados ao downstream, relacionado com a transformação e comercialização dos produtos.

Mais de 15 biliões de pés cúbicos disponíveis

O administrador executivo da ANPG, Artur Custódio, indicou que Angola dispõe de mais de 15 biliões de pés cúbicos de gás natural monetizável, além dos volumes já destinados ao projecto Angola LNG.

A estratégia pretende utilizar uma parcela crescente deste recurso no mercado interno, como forma de apoiar a industrialização e reduzir a dependência de produtos importados.

Entre as áreas identificadas como prioritárias encontram-se a produção de fertilizantes, a indústria petroquímica e a geração de electricidade a partir do gás natural.

A aposta no aproveitamento interno do recurso foi igualmente defendida pelo presidente executivo da Sonangol Gas, Manuel Barros, segundo o qual o gás deve ser rentabilizado dentro do país para estimular a actividade industrial.

Amufert entre os projectos estruturantes

Entre os projectos associados a esta estratégia está o complexo da Amufert, no Soyo, que prevê uma capacidade anual de produção de 1,4 milhões de toneladas de ureia granulada e 800 mil toneladas de amoníaco.

O projecto insere-se na estratégia de utilização do gás como matéria-prima para desenvolver novas cadeias industriais, nomeadamente na produção de fertilizantes e outros produtos de maior valor acrescentado.

Refinarias e segurança energética

A agenda do último dia da AOG 2026 incluiu também a refinação e a segurança do abastecimento de combustíveis, numa altura em que Angola procura aumentar a capacidade nacional de processamento de petróleo.

O país estabeleceu como meta atingir uma capacidade de refinação de 425 mil barris por dia, reduzindo progressivamente a necessidade de recorrer ao exterior para satisfazer a procura interna.

Apesar dos investimentos previstos no sector, Angola gastou cerca de 1,96 mil milhões de dólares na importação de produtos refinados durante o primeiro semestre de 2026, evidenciando o peso que a importação de combustíveis continua a representar na factura externa do país.

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