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UNITEL lança a maior operação bolsista da história de Angola

A UNITEL – a maior operadora de telecomunicações e serviços digitais de Angola – lançou, ontem, segunda-feira, dia 6, para venda, 7,5 milhões de acções, prevendo-se um encaixe de cerca de 281,9 milhões de euros, a maior oferta pública alguma fez realizada em Angola, adiantou a agência Lusa.

Em declarações à imprensa, o administrador da BFA Capital Markets, Paulo Graça, afirmou que a Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% das acções da UNITEL deverá ultrapassar o montante da última oferta pública realizada no país, a do Banco de Fomento Angola (BFA), que ascendeu a cerca de 112,7 milhões de euros.

Paulo Graça salientou que o preço unitário das 7,5 milhões de acções varia entre 33,8 euros e 37,5 euros, correspondendo, respectivamente, ao preço mínimo e ao preço máximo. Segundo o responsável, a UNITEL detém cerca de 76% do mercado angolano das telecomunicações, tem 25 anos de existência e perto de 21 milhões de clientes.

“O nosso sentimento, e olhando para aquilo que têm sido os últimos meses, é de uma forte procura pelas acções da UNITEL. Temos sido contactados por muitos investidores, quer particulares, quer empresariais, quer institucionais, que manifestam interesse em investir nas acções da UNITEL”, destacou Paulo Graça.

O responsável salientou ainda que a bolsa angolana integra, até ao momento, apenas empresas do sector financeiro — três bancos, uma seguradora e a própria Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) —, sendo a UNITEL a primeira empresa do sector das telecomunicações a integrar o mercado.

Recorde-se que a empresa angolana de telecomunicações é actualmente detida pelo Estado angolano (50%), através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), e pela Sonangol (50%), através da MS Telecom e da PT Ventures, que detêm, cada uma, 25% do capital social.

Dos 15% das acções colocadas à venda, 2% destinam-se aos trabalhadores e 13% ao público em geral. O período da OPV termina no próximo dia 24, sendo as acções comercializadas, desde esta segunda-feira, por oito entidades.

A fixação do preço final das acções está prevista para o dia 27 deste mês, devendo a admissão à negociação em bolsa ocorrer dois dias depois.

Paulo Graça adiantou que a UNITEL prevê investir, nos próximos cinco anos, na transformação digital, na Inteligência Artificial (IA) e em soluções de cloud, com o objectivo de suportar os diversos serviços da empresa e assegurar a sustentabilidade do negócio das comunicações e da conectividade.

“Há os negócios tradicionais, mas também deverão surgir novos negócios nas áreas das tecnologias, sobretudo no domínio da transformação digital”, salientou.

Em 2025, a UNITEL registou um resultado líquido superior a 148,5 milhões de euros.

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