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Investimento em biodiversidade ultrapassou os 90 mil milhões de euros em Angola

Angola atribuiu para a biodiversidade mais de 93,9 mil milhões de euros, nos últimos dez anos. Os números foram avançados ontem, quinta-feira, 2, o analista em finanças da biodiversidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Aristófanes Pontes.

O analista falava aos jornalistas à margem da IV Conferência sobre Sustentabilidade na Banca, subordinada ao tema “Financiamento Sustentável em Angola: Da Estratégia à Implementação com Impacto Inclusivo”, promovida pela Associação Angolana de Bancos (Abanc).

Segundo Aristófanes Pontes, o PNUD analisou o investimento realizado pelo país, nos últimos dez anos, na conservação da biodiversidade e concluiu que “não é muito forte o que foi feito em termos de orçamento”.

“Quando se olha para o OGE [Orçamento Geral do Estado], é difícil identificar rubricas directamente ligadas à biodiversidade. O que identificámos foram verbas destinadas ao ambiente e alguns programas da mesma área, como educação ambiental e conservação da biodiversidade”, salientou.

O analista defendeu a necessidade de reforçar a advocacia junto do Governo para aumentar as verbas destinadas ao sector do ambiente, de forma a permitir o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo país.

Acrescentou que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento concluiu que os montantes disponibilizados ao longo desse período tiveram origem, maioritariamente, no Orçamento Geral do Estado, pretendendo agora avaliar também o contributo do sector privado.

“Queremos ter acesso às informações do sector privado e perceber o que realmente tem sido feito no âmbito da biodiversidade, mas já temos a noção de que é pouco, porque o que tem sido desenvolvido são sobretudo projectos financiados por fundos externos”, referiu.

Por sua vez, o presidente da Abanc, Mário Nascimento, afirmou que persistem desafios para o financiamento sustentável, exigindo um esforço conjunto do banco central e do Executivo angolano.

De acordo com Mário Nascimento, foi criada uma equipa institucional, liderada pelo Ministério das Finanças e integrando igualmente o Ministério do Planeamento e o Banco Nacional de Angola, para preparar todo o enquadramento do financiamento sustentável, assente em seis eixos.

Essa discussão, acrescentou o dirigente, contará também com o contributo da Abanc, para que sejam identificados e ultrapassados os constrangimentos de natureza técnica, regulamentar e de mobilização de recursos financeiros.

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