
BAD prevê crescimento económico para Angola na ordem dos 2,9% em 2026 e 3,3% em 2027
O relatório Perspectivas Económicas de África 2026 indica, sobre Angola, que o crescimento deverá ser impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo, pelo investimento no agro-negócio e na logística ao longo do Corredor do Lobito, bem como por cerca de dois mil milhões de dólares em projectos de mineração não diamantífera e de terras raras.
Angola deverá registar um crescimento económico moderado de 2,9% este ano, mesmo que “impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo”, e 3,3% em 2027, segundo as perspectivas para África divulgadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), na última terça-feira, dia 26.
O relatório Perspectivas Económicas de África 2026 apresentado no encontro anual do BAB, em Brazzaville, capital da República do Congo, indica sobre Angola que “o crescimento deverá ser impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo, pelo investimento no agro-negócio e na logística ao longo do Corredor do Lobito, bem como por cerca de dois mil milhões de dólares em projectos de mineração não diamantífera e de terras raras.”
O crescimento de 2,9% este ano é menor do que o registado em 2025 (3,1%) e o que alcançado em 2024 (5%), recordou.
Os economistas do banco prevêem que o Produto Interno Bruto (PIB) volte a diminuir devido ao rápido crescimento da população angolana. O BAD avisa ainda que “a política monetária poderá ser novamente apertada para conter a inflação resultante do aumento global dos preços do petróleo.”
Em relação ao défice orçamental, este deverá cair para menos de 3% do PIB entre 2026 e 2027, “à medida que as receitas petrolíferas melhorem os saldos fiscais”, lê-se no relatório, detalhando que “o rácio dívida/PIB deverá manter-se estável em 48,2%, apoiado por excedentes primários.”
Já o excedente da conta corrente em 2026, impulsionado pelas exportações petrolíferas, deverá aumentar para 3,4% do PIB.
Principais riscos
A instituição refere que a “volatilidade dos preços do petróleo, o endurecimento das condições financeiras globais, as tensões geopolíticas, os choques climáticos e a dependência do petróleo” representam os principais riscos para a economia deste país africano lusófono. Por essa razão, sustenta, Angola deve apoiar-se na diversificação económica no “investimento no Corredor do Lobito e na mineração”, considerados “essenciais para mitigar estes riscos.”
O BAD alerta ainda para a capacidade limitada “de mobilizar financiamento em larga escala para um desenvolvimento inclusivo e sustentável”. Para colmatar essa situação, o país deve “reforçar a gestão da dívida, a transparência fiscal e a credibilidade financeira”, mobilizar “capital privado através de parcerias público-privadas, garantias apoiadas por bancos multilaterais de desenvolvimento, obrigações verdes e azuis, remessas da diáspora superiores a mil milhões de dólares anuais e financiamento baseado na natureza alinhado com infra-estruturas resilientes ao clima.”
Refira-se que o relatório foi apresentado durante as reuniões do encontro anual do BAD, no qual representantes dos 81 países membros (chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, incluindo de países africanos lusófonos) analisam os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.
O lema das reuniões deste ano é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado” e, até sexta-feira (29), a capital da República do Congo, Brazzaville, torna-se o centro financeiro de África acolhendo mais de três mil pessoas.
As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDC) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adoptar “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas.”