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Actual surto de ébola na RDC pode ser muito mais grave, alerta CEPI

O presidente do Conselho da Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI, sigla em inglês) afirmou ontem, quinta-feira, dia 21, que os casos identificados até agora no surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC) representam apenas “a ponta do icebergue” e que poderá ser difícil desenvolver uma vacina segura e eficaz dentro do prazo-alvo de três meses.

O surto no leste da RDC já abrange cerca de 600 casos suspeitos e mais de 130 mortes, tendo a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarado a situação como uma emergência de saúde pública de interesse internacional.

“Descrevi este surto como um iceberg; vimos apenas a ponta dele e, à medida que nos aproximamos, percebemos que essa ponta é bastante grande”, afirmou Jane Halton, presidente CEPI, citado pela agência Reuters.

“Estamos perante muitas centenas de casos e mortes, mas a verdade é que os números reais são muito superiores”, declarou a responsável durante uma conferência imprensa, em Genebra, Suíça.

O CEPI, que financia o desenvolvimento de novas vacinas e está a analisar potenciais candidatos contra o ébola, estabeleceu como meta desenvolver uma vacina segura e eficaz para grandes surtos em menos de 100 dias.

“Possivelmente, será um grande desafio”, respondeu Halton quando questionada sobre a viabilidade de atingir esse objectivo, acrescentando: “Posso garantir que estaremos em condições de responder mais rapidamente do que estaríamos há cinco anos.” Contudo, recusou-se a indicar um prazo concreto.

Ao contrário da estirpe Zaire do ébola, mais comum, não existem terapias específicas aprovadas nem vacinas para a estirpe bundibugyo, que anteriormente demonstrou ser menos letal.

A especialista explicou que o trabalho de recolha de anticorpos já tinha começado antes do actual surto, e que uma vacina contra a estirpe bundibugyo estava prevista para ser a próxima a avançar para desenvolvimento antes da eclosão da doença. “É lamentável”, disse sobre o momento do surto, acrescentando tratar-se de “uma situação muito difícil.”

Segundo Halton, com vários candidatos à vacina ainda em fase inicial, estão a ser realizados esforços para acelerar os testes pré-clínicos de segurança, com o objectivo de iniciar ensaios durante o actual surto, desde que as comunidades locais deem consentimento.

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