
Principal líder da oposição de ESwatini envenenado na África do Sul
O principal líder da oposição de ESwatini (antiga Suazilândia), Mlungisi Makhanya, foi envenenado numa tentativa de assassinato e está internado no hospital, revelou esta quarta-feira, dia 25, uma fonte do seu partido, o Movimento Democrático Unido do Povo (Pudemo, sigla em Inglês).
Makwanya foi alegadamente envenenado na madrugada de terça-feira, na sua casa em Pretória, por um “jovem rapaz” não identificado, que o Pudemo diz ter sido usado como “agente do governo suazi”. Contudo, o porta-voz do governo de ESwatini, Alpheous Nxumalo, negou o envolvimento do Estado, afirmando que o “governo não mata nem envenena ninguém.”
Makwanya foi rapidamente transportado para um hospital de Pretória escoltado pela polícia sul-africana, informou o site Swaziland News. Mais tarde, foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), em estado crítico mas estável, acrescentou a mesma fonte.
Wandile Dludlu, vice-presidente do Pudemo, afirmou que o incidente foi causado por um pesticida “extremamente perigoso e fatal.” “É encorajador o facto de o presidente ter sobrevivido um dia”, acrescentou Dludlu. “Foi uma clara tentativa de assassinato do nosso líder.” O partido Pudemo apelou ao apoio internacional para garantir a segurança de Makhanya e da sua família enquanto estiver no hospital.
Mlungisi Makhanya, de 46 anos, encontra-se exilado na vizinha África do Sul há dois anos, na sequência de uma violenta onda de repressão perpetrada pelo governo de ESwatini contra activistas pró-democracia.
“O nosso presidente encontra-se estabilizado, mas ainda está em estado crítico”, declarou o Pudemo em comunicado.
O Pudemo diz que o atentado contra o seu líder ocorre antes dos protestos agendados para o próximo mês, exigindo eleições multipartidárias.
O país permite que candidatos independentes se candidatem ao parlamento, mas não permite a participação de partidos políticos.
A última monarquia absoluta de África
O rei Mswati III, que subiu ao trono em 1986, governa por decreto. Tem sido criticado pelo seu estilo de vida extravagante e é regularmente acusado de não permitir qualquer voz discordante.
No ano passado, Thulani Rudolf Maseko, um advogado defensor dos direitos humanos que se opunha ao rei, foi assassinado em sua casa, em Mbabane, a capital, o que suscitou uma condenação generalizada.
Em Setembro de 2022, a casa de Makhanya, em ESwatini, foi incendiada num alegado ataque bombista perpetrado por agentes do Estado. Actualmente, Makhanya vive em Pretória, capital da África do Sul, com a sua família e lidera o Pudemo, um dos principais partidos pró-democracia, teoricamente autorizado, mas proibido de participar em eleições.