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UNESCO pretende ver o primeiro geoparque da CPLP em África ou na Ásia até 2036

O encontro, que terminou no sábado, dia 30, reuniu cerca de 120 participantes de vários países, além de especialistas ligados a 13 geoparques de Portugal e do Brasil, actualmente os únicos países lusófonos com territórios classificados pela UNESCO como de relevância geológica mundial.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) pretende que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) conte, até 2036, com o primeiro geoparque reconhecido em África ou na Ásia. A meta foi definida na última sexta-feira, dia 29, durante o Fórum de Geoparques da UNESCO na CPLP, realizado em Arouca, Portugal.

O encontro, que terminou no sábado, dia 30, reuniu cerca de 120 participantes de vários países, além de especialistas ligados a 13 geoparques de Portugal e do Brasil, actualmente os únicos países lusófonos com territórios classificados pela UNESCO como de relevância geológica mundial.

Durante o fórum, os participantes defenderam que vários países africanos e asiáticos da CPLP possuem forte potencial natural, científico e turístico para acolher novos geoparques. Em declarações à agência Lusa, Margarida Belém, presidente da Associação Geoparque de Arouca, afirmou que a criação de novos geoparques da UNESCO em países africanos da CPLP e em Timor-Leste, na próxima década, representa “uma ambição colectiva” e um sinal do reforço da cooperação entre os países lusófonos.

No âmbito do encontro, foi assinado um compromisso para reforçar o apoio às candidaturas de territórios interessados em obter a classificação de geoparque, que prevê maior cooperação técnica e científica, programas de mentoria e capacitação, bem como uma participação mais activa das universidades e das comunidades locais.

O documento inclui ainda a criação de plataformas de partilha de boas práticas entre os países lusófonos, com o objectivo de aumentar o número de geoparques reconhecidos pela UNESCO. Durante os debates, representantes de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Equatorial e São Tomé e Príncipe reconheceram a existência de desafios comuns nos processos de candidatura, mas destacaram o “enorme potencial geológico, paisagístico e cultural” dos países lusófonos de África e da Ásia.

Victor Vicente, de Timor-Leste, salientou a existência de importantes registos fósseis e de áreas onde coexistem património geológico, biodiversidade e cultura. Shellita Viega, de São Tomé e Príncipe, sublinhou o carácter singular das ilhas vulcânicas e a forte presença de espécies endémicas, factores que, segundo afirmou, conferem elevado potencial turístico e científico a um futuro geoparque. Hamilton Fernandes, de Cabo Verde, defendeu uma maior integração das comunidades, das universidades e dos decisores políticos na valorização do património geológico.

Dinis Quicassa, de Angola, apelou à criação de redes de cooperação multidisciplinar para apoiar futuras candidaturas, enquanto Léon Eyang, da Guiné-Equatorial, recomendou a realização de inventários geológicos e a formação de quadros técnicos especializados.

No plano das experiências partilhadas, Fabiana Oliveira, do Ministério do Turismo do Brasil, destacou o papel dos geoparques na conservação, inclusão social e criação de emprego, e Teresa Ferreira, do Turismo de Portugal, sublinhou o contributo destes territórios para um desenvolvimento turístico mais equilibrado ao longo do ano.

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