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Governo e BAD analisam estratégias para cadeias de valor agrícola

A iniciativa pretende desenvolver pólos integrados de produção, transformação, transporte e comercialização agrícola, aproveitando o potencial logístico do corredor ferroviário para dinamizar as exportações e aumentar o valor acrescentado da produção nacional. A estratégia enquadra-se na crescente aposta internacional no Corredor do Lobito como plataforma regional de comércio e integração económica na África Austral.

A delegação angolana para as Reuniões Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), liderada pelo ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, reuniu-se na semana passada, em Brazzaville, na República do Congo, com o vice-presidente da instituição para a Agricultura e Agro-Indústria, Martin Fregene, com o propósito de avaliar o estado de implementação dos principais projectos agrícolas financiados pelo banco em Angola.

O encontro, segundo uma nota citada pela publicação ‘Forbes África Lusófona’, contou também com representantes do Ministério da Agricultura e Florestas e teve como foco central o Projecto de Desenvolvimento das Cadeias de Valor Agrícola da Região Leste, uma das iniciativas estratégicas do Executivo para aumentar a produtividade agrícola e reduzir a dependência alimentar externa.

Durante a reunião, Victor Hugo Guilherme destacou o arranque do processo de aquisição antecipada de insumos para a campanha agrícola 2026-27, incluindo sementes melhoradas e adaptadas às alterações climáticas. Segundo o governante, o programa contempla culturas consideradas prioritárias para a segurança alimentar e diversificação económica do país, como milho, trigo, arroz, soja, feijão, mandioca e amendoim.

A aposta em sementes resilientes surge numa altura em que Angola, à semelhança de outros países africanos, enfrenta impactos crescentes das alterações climáticas sobre a produção agrícola, sobretudo em regiões afectadas por secas prolongadas e irregularidade das chuvas.

A antecipação da aquisição de insumos é igualmente vista como uma tentativa de melhorar a previsibilidade da campanha agrícola e aumentar os níveis de produtividade rural.

Por sua vez, Martin Fregene elogiou o desempenho do Governo angolano na execução dos projectos financiados pelo BAD, destacando particularmente os resultados alcançados na província de Cabinda.

O responsável manifestou também confiança no avanço do Projecto de Desenvolvimento das Cadeias de Valor Agrícola da Região Leste, considerado estratégico para integrar produção, logística e comercialização agrícola numa das regiões com maior potencial produtivo do país.

Corredor do Lobito entra na estratégia agro-industrial

Nos últimos anos, o BAD tem reforçado o apoio ao sector agrícola do continente, defendendo que África deve acelerar a industrialização do agro-negócio para reduzir importações alimentares e aumentar a criação de emprego.

Outro dos pontos centrais do encontro foi a preparação de um novo projecto ligado à criação de zonas de agro-processamento ao longo do Corredor do Lobito.

Segundo o BAD, a iniciativa pretende desenvolver pólos integrados de produção, transformação, transporte e comercialização agrícola, aproveitando o potencial logístico do corredor ferroviário para dinamizar as exportações e aumentar o valor acrescentado da produção nacional. A estratégia enquadra-se na crescente aposta internacional no Corredor do Lobito como plataforma regional de comércio e integração económica na África Austral.

Além do impacto agrícola, o projecto poderá contribuir para a criação de empregos industriais, o fortalecimento das cadeias logísticas e o aumento da competitividade do sector privado angolano.

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