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TAAG quer transformar investimentos em resultados e acelerar recuperação

A TAAG está a entrar numa nova etapa do seu processo de transformação, com a administração a colocar maior ênfase na execução, na disciplina de gestão e na responsabilização pelos resultados. O objectivo é fazer com que os investimentos realizados nos últimos anos se traduzam em ganhos concretos de eficiência, produtividade, receitas e sustentabilidade financeira.

A nova orientação foi apresentada ontem, quinta-feira, 27 de Agosto, durante o II Congresso de Quadros da TAAG, encontro que reuniu responsáveis e quadros da companhia aérea de bandeira angolana e contou com a participação do ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu.

Na abertura do congresso, o Presidente do Conselho de Administração da TAAG, Clóvis Rosa, defendeu uma mudança na forma de avaliar o processo de transformação da companhia, considerando que o sucesso deve ser medido pelos resultados alcançados e não apenas pelo número de iniciativas lançadas ou de planos aprovados.

“Responsabilidade colectiva não significa responsabilidade diluída. Significa que cada um conhece o seu papel, cumpre-o e responde por ele. É esta cultura que temos de fortalecer”, afirmou.

Investimento tem de gerar resultados

O ministro dos Transportes destacou as oportunidades criadas pela renovação da frota, pela entrada em funcionamento do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto e pela posição geográfica de Angola.

Para Ricardo Viegas D’Abreu, estes activos representam importantes condições para o crescimento da companhia, mas terão de produzir resultados concretos.

“Potencial não é resultado. E investimento não é transformação”, afirmou o ministro, defendendo que a transformação só estará efectivamente concretizada quando os investimentos se reflectirem em maior eficiência e produtividade, melhoria da qualidade do serviço, aumento das receitas, redução e controlo dos custos, maior fiabilidade operacional e sustentabilidade.

TAAG amplia rede africana

Um dos resultados apresentados durante o congresso foi o crescimento de 30% da rede africana da companhia, que passou de 10 para 13 destinos, na sequência da autorização de novas ligações para Accra, Dakar e Praia.

A expansão da rede ocorre numa estratégia de reforço da conectividade regional e de consolidação de Luanda como plataforma de ligação entre diferentes mercados africanos e internacionais.

Paralelamente, a TAAG está a implementar uma nova metodologia de planeamento e acompanhamento da execução através do GO TAAG 360, ferramenta concebida para acompanhar, de forma transversal, prioridades, responsabilidades, prazos e resultados.

Com dados reportados a 24 de Agosto de 2026, o programa integra 53 alavancas estratégicas, 300 entregáveis e 698 metas. A execução global situava-se em 53%, com 263 metas já concluídas.

Segundo a administração, o modelo deverá permitir detectar antecipadamente eventuais desvios, reforçar a responsabilização das diferentes áreas e acelerar a tomada de decisões sempre que seja necessário corrigir trajectórias.

Controlo financeiro ganha importância

A disciplina financeira surge igualmente como uma das componentes centrais da nova fase da transformação. Durante o congresso, a companhia revelou que a execução da despesa ficou USD 25,7 milhões abaixo do orçamento aprovado. No primeiro semestre, a TAAG gerou ainda USD 19,2 milhões de caixa operacional.

Os indicadores são associados à implementação do Programa Palanca e ao reforço dos mecanismos de controlo orçamental, numa altura em que a sustentabilidade financeira continua a ser uma das principais prioridades da administração.

A estratégia passa por assegurar que cada compromisso tenha um responsável identificado, prazos definidos e acompanhamento regular, de forma a reduzir atrasos e permitir intervenções mais rápidas quando as metas não estejam a ser cumpridas.

Nova cultura de gestão

O Presidente da Comissão Executiva da TAAG, Miguel Carneiro, considerou que a transformação em curso representa também uma mudança estrutural na cultura de gestão da companhia. “A transformação da TAAG começou na mudança da nossa forma colectiva de trabalhar: mais próximos, mais alinhados, mais responsáveis”, afirmou.

O gestor reiterou o compromisso da Comissão Executiva com a continuidade do processo de transformação, a disciplina na utilização dos recursos e o controlo dos custos, bem como com a melhoria progressiva das condições dos trabalhadores, à medida que a recuperação e a sustentabilidade financeira da companhia o permitam.

A estratégia está assente em quatro grandes prioridades: segurança operacional; aumento da eficiência operacional e organizacional; crescimento das receitas e redução dos custos; e melhoria da experiência do cliente.

Frota e eficiência continuam entre os desafios

Apesar dos avanços apresentados, a administração reconhece que a companhia continua a enfrentar desafios, nomeadamente ao nível da disponibilidade da frota, da eficiência operacional e da sustentabilidade financeira.

A TAAG entende que a resolução destes constrangimentos não dependerá apenas da realização de novos investimentos. Será igualmente necessária uma maior articulação entre as diferentes áreas da organização, maior rapidez na tomada de decisões, cumprimento rigoroso dos procedimentos e responsabilização efectiva pelos resultados.

O II Congresso de Quadros assumiu, assim, uma função de alinhamento interno, procurando aproximar a estratégia da execução diária e clarificar o contributo de cada área e de cada trabalhador para os resultados globais da companhia.

Com a renovação da frota, o desenvolvimento do hub de Luanda, a expansão da conectividade regional e internacional e o reforço da disciplina operacional e financeira, a TAAG pretende transformar o actual ciclo de investimento numa nova fase de crescimento, assente numa companhia mais eficiente, competitiva, sustentável e orientada para as necessidades dos passageiros.

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