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Relação entre UE e Egipto elevada “parceria estratégica global”

Em 17 de Março, a União Europeia (UE) assinou uma “parceria estratégica” de 7,4 mil milhões de euros com o Egipto, país que atravessa uma crise económica, nomeadamente nos domínios da energia e da migração, o que suscita preocupações entre os activistas dos direitos humanos. O acordo foi assinado, no Cairo capital do Egipto, pelo anfitrião, Abdel Fattah al-Sissi, e pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, juntamente com cinco chefes de Estado e de Governo europeus.

O acordo inclui “cinco mil milhões de euros em empréstimos, dos quais mil milhões serão pagos até ao final de 2024, 1,8 mil milhões de euros em investimentos, 400 milhões de euros em ajuda a projectos bilaterais e 200 milhões de euros em ajuda a programas que tratam de questões migratórias”, explicou um alto funcionário da Comissão Europeia sob condição de anonimato. Com este acordo, “estamos a elevar a relação entre a União Europeia e o Egipto ao estatuto de parceria estratégica global”, afirmou, citada pela France Press, Von der Leyen, “que vai do comércio à energia com baixo teor de carbono e à gestão das migrações.”

Este afluxo de fundos – que se prolongará até ao final de 2027 – é uma lufada de ar fresco para o Egipto, que atravessa actualmente a pior crise económica da sua história. Vem juntar-se ao último impulso financeiro recebido pelo Cairo: 35 mil milhões de dólares dos Emirados Árabes Unidos e mais 5 mil milhões de dólares de empréstimos do Fundo Monetário Internacional. O Cairo consagra uma grande parte dos seus recursos ao pagamento da sua dívida externa, que triplicou numa década para quase 165 mil milhões de dólares.

A UE quer “cooperar” para fazer “ainda mais sem o gás russo”.

O Egipto depende em particular do seu gás natural para obter receitas em divisas e a UE quer “cooperar” para fazer “ainda mais sem o gás russo”, referiu o alto funcionário europeu, tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia.

A delegação europeia incluiu o Presidente de Chipre, Nikos Christodoulides, e os primeiros-ministros da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, e da Itália, Giorgia Meloni, que são parceiros importantes do Egipto nos seus campos de gás mediterrânicos. Estiveram igualmente presentes o Chanceler austríaco Karl Nehammer e o Primeiro-Ministro belga Alexander De Croo.

Os líderes discutiram também os conflitos fronteiriços no Sudão, na Líbia e em Gaza, onde Israel intensificou a pressão sobre o Cairo ao confirmar que está a avançar com planos para invadir Rafah, às portas do Egipto, onde estão amontoados mais de 1,5 milhões de palestinianos, deslocados pela guerra.

“O Egipto é um país crucial para a Europa”, uma vez que tem “uma posição importante numa região muito difícil”, explicou o alto funcionário europeu aos jornalistas no Cairo. A UE pretende cooperar com o Egipto – que ocupa o 136º lugar entre 142 países no índice do Estado de direito do Projecto Justiça Mundial – em matéria de “segurança, luta contra o terrorismo e protecção das fronteiras”. O aspecto migratório do acordo é semelhante ao assinado com a Tunísia em Julho: os europeus esperam que os países de origem ou de trânsito dos migrantes suspendam as partidas e readmitam os seus cidadãos ilegais na UE.

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