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Países africanos deverão contrair dívida de 155 mil milhões de dólares em 2026, revela S&P

Os países africanos deverão contrair 155 mil milhões de dólares em dívida comercial de longo prazo neste ano de 2026, segundo um relatório da S&P Global Ratings, o que representa um aumento de 10% face ao ano anterior, com o objectivo de refinanciar dívida vincenda e fazer face a crescentes obrigações fiscais internas.

A dívida soberana comercial total em circulação deverá ultrapassar ligeiramente 1,2 bilião de dólares em 2026, refere o relatório, o equivalente a cerca de metade da produção económica dos países até ao final do ano.

O Egipto deverá ser o maior emissor, juntamente com a África do Sul e Marrocos, segundo o documento, a que a agência Reuters teve acesso.

As repercussões da guerra com o Irão poderão limitar os planos de endividamento dos países africanos este ano e afectar o custo de novas emissões, embora o impacto possa ser mitigado por condições de liquidez favoráveis nos mercados financeiros globais, em comparação com anos anteriores.

“Esperamos que a guerra e as suas implicações para as rotas de transporte de hidrocarbonetos, particularmente o Estreito de Ormuz, comecem a moderar nas próximas semanas, mas, se o conflito se prolongar, poderá afectar as posições fiscais, os níveis de inflação e os planos de financiamento em toda a África”, afirmou a S&P.

Com a maioria dos países da região dependente de importações de produtos refinados, um aumento dos preços no retalho poderá pressionar as finanças públicas e os défices orçamentais em países como Angola, que subsidiam combustíveis.

O custo da dívida na região varia entre economias, mas a mediana anual dos 27 emissores africanos avaliados situa-se em 1,5 mil milhões de dólares, inferior a outras regiões, segundo o relatório. Isto reflecte a dependência dos governos de crédito mais barato proveniente de instituições multilaterais, como o Banco Mundial.

“Custos de financiamento externo favoráveis, actualmente em mínimos de vários anos, oferecem algum alívio, permitindo aos Estados refinanciar vencimentos de dívida em moeda estrangeira a custos mais baixos”, concluiu a S&P.

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