
OPV do Standard Bank Angola movimenta 208,5 mil milhões de kwanzas e reforça dinamismo do mercado de capitais
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC), ao aprovar o registo da oferta, esclareceu que a sua intervenção se baseou em critérios de legalidade e que o registo não constitui uma garantia sobre o conteúdo das informações prestadas, a situação económica ou financeira do emitente ou a viabilidade da oferta.
A Oferta Pública de Venda (OPV) de 34% do capital social do Standard Bank Angola mobilizou 208,5 mil milhões de kwanzas e resultou na entrada de 6.215 novos accionistas no banco, numa operação que marca uma nova etapa do desenvolvimento do mercado de capitais angolano.
A operação, promovida pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), em representação do Estado angolano, colocou no mercado 4,76 milhões de acções ordinárias do Standard Bank Angola, correspondentes a 34% do capital social e dos direitos de voto da instituição. A subscrição decorreu entre 11 e 25 de Setembro, tendo os resultados sido apurados numa sessão especial da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) a 28 de Setembro.
A procura superou a oferta disponível. De acordo com os dados divulgados pela BODIVA, a taxa de cobertura global da operação atingiu 181,96%, enquanto a procura registada na tranche destinada ao público em geral correspondeu a 378,66% da quantidade colocada à disposição dos investidores.
Duas tranches
A OPV foi estruturada em duas parcelas. Do total de 4,76 milhões de acções, 3,36 milhões, equivalentes a 24% do capital social, foram reservadas ao Standard Bank Group Limited (SBGL), accionista de referência da instituição. As restantes 1,4 milhões de acções, correspondentes a 10% do capital, foram destinadas ao público em geral.
Para os investidores particulares e institucionais abrangidos pela tranche pública, o preço por acção foi inicialmente estabelecido num intervalo entre 41.220 e 50.000 kwanzas. A operação tinha um valor máximo bruto estimado em cerca de 208,5 mil milhões de kwanzas, montante que acabou por corresponder ao valor global da alienação.
A operação está enquadrada no Programa de Privatizações (PROPRIV) e representa também a entrada do Standard Bank Angola no mercado de capitais, com a previsão de admissão à negociação na BODIVA das 14 milhões de acções que constituem a totalidade do capital social do banco.
Maior participação no mercado de capitais
A entrada do Standard Bank Angola em bolsa amplia a presença do sector bancário no mercado de capitais angolano e alarga a possibilidade de participação de investidores no capital de uma instituição financeira de grande dimensão.
Além da alienação de uma parcela do capital detido pelo Estado, a operação contribui para o aumento da dispersão accionista do banco. Os 6.215 novos accionistas resultantes da OPV passam a integrar a estrutura accionista do Standard Bank Angola, aumentando a participação de investidores no mercado de capitais.
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC), ao aprovar o registo da oferta, esclareceu que a sua intervenção se baseou em critérios de legalidade e que o registo não constitui uma garantia sobre o conteúdo das informações prestadas, a situação económica ou financeira do emitente ou a viabilidade da oferta.
Liquidação abre caminho à negociação
Depois do apuramento dos resultados, a operação entra agora na fase de liquidação física e financeira, prevista para 29 de Setembro. A admissão das acções à negociação no Mercado de Bolsa da BODIVA está prevista para 30 de Setembro.
A conclusão desta etapa permitirá que as acções do Standard Bank Angola passem a ser transaccionadas em bolsa, dando início a uma nova fase para a instituição enquanto sociedade cotada e proporcionando ao mercado um novo activo financeiro para negociação.
A OPV surge, assim, num momento de expansão do mercado de capitais angolano, com o processo de privatização de activos do Estado a continuar a desempenhar um papel na colocação de empresas e participações estatais junto de investidores.
Com a conclusão da operação, o Standard Bank Angola passa a integrar o conjunto de instituições com capital admitido à negociação na BODIVA, reforçando a presença do sector financeiro no mercado accionista e aumentando a diversidade de activos disponíveis para os investidores.