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“O combate à insegurança alimentar deve ser um desafio de todos nós”

Projectos de Responsabilidade Social: "Sorrisos que Alimentam" e "Sorrisos que Cuidam"

O Grupo OMATAPALO e a Cáritas de Angola estão a reforçar o combate à insegurança alimentar e à desnutrição infantil em comunidades vulneráveis, assegurando cerca de 30 mil refeições nutritivas por mês através dos projectos “Sorrisos que Alimentam” e “Sorrisos que Cuidam”. Em entrevista exclusiva que a OMATAPALO concedeu ao portal POC Notícias, revela que o Grupo investiu mais de mil milhões de kwanzas em projectos sociais no último ano, com foco na segurança alimentar, saúde comunitária e educação.

Qual é a importância económica e social da parceria entre o Grupo OMATAPALO e a Cáritas de Angola no combate à insegurança alimentar nas comunidades periféricas?

A parceria entre o Grupo OMATAPALO e a Cáritas de Angola representa um exemplo concreto de como o sector privado e as organizações humanitárias podem unir esforços para responder os desafios sociais estruturais, gerando um impacto muito superior ao que cada organização conseguiria isoladamente.

Do ponto de vista social, a iniciativa permite garantir acesso regular a refeições nutritivas para comunidades particularmente vulneráveis, incluindo crianças, idosos e pessoas com limitações motoras. Este apoio tem um impacto directo na melhoria da qualidade de vida e na dignidade das famílias beneficiadas.

Do ponto de vista económico, investir na segurança alimentar e na nutrição das crianças significa também investir no capital humano do país. Uma criança bem alimentada tem melhores condições de crescimento, aprendizagem e desenvolvimento, o que, a longo prazo, contribui para uma sociedade mais saudável, produtiva e sustentável.

Para além da alimentação, o projecto “Sorrisos que Cuidam” integra cuidados de saúde preventiva e acompanhamento nutricional infantil. Como esta componente contribuirá para a redução de custos de saúde e melhor desempenho escolar das crianças beneficiadas?

 “Sorrisos que Cuidam” nasceu exactamente da constatação de que alimentar não é suficiente. Precisamos de saber se essa alimentação está realmente a transformar a saúde das crianças. Ao introduzirmos rastreios nutricionais trimestrais, desparasitação sistemática e monitorização do crescimento, estamos a fazer prevenção primária, que é sempre mais económica que o tratamento de doenças já instaladas.

Uma criança desnutrida tem o sistema imunitário comprometido, adoece mais vezes e sobrecarrega as unidades hospitalares. Ao prevenir a desnutrição, estamos a reduzir a procura por serviços de saúde curativos. Paralelamente, a desnutrição afecta directamente o desenvolvimento cognitivo. Uma criança bem alimentada e saudável tem maior capacidade de concentração, melhor aproveitamento escolar e, no futuro, maior probabilidade de concluir a educação e quebrar o ciclo intergeracional da pobreza.

 

Pode explicar como a parceria entre uma grande empresa privada e uma instituição humanitária cria um modelo de intervenção social sustentável e replicável noutras províncias do país?

 Este modelo é sustentável precisamente porque não depende exclusivamente de uma das partes, a parceria assenta numa lógica de complementaridade de competências. O Grupo OMATAPALO aporta capacidade de gestão, recursos financeiros, logística estruturada e uma equipa de saúde mobilizada para o rastreio nutricional. A Cáritas de Angola, por sua vez, traz quatro décadas de experiência de trabalho comunitário, conhecimento profundo das realidades locais e mobilização social. Juntos, estamos a demonstrar que é possível aliar eficiência empresarial com sensibilidade comunitária, uma vez que permite garantir proximidade com as comunidades e credibilidade junto dos beneficiários.

Quais têm sido os principais desafios logísticos e financeiros na implementação destes projectos e que lições podem ser partilhadas com outras iniciativas sociais em Angola?

Como em qualquer projecto desta natureza, existem desafios logísticos importantes, desde a organização da cadeia de abastecimento alimentar até à coordenação das equipas locais e voluntários.  Outro desafio relevante está relacionado com a necessidade de garantir padrões adequados de higiene, segurança alimentar e acompanhamento nutricional nas diferentes cozinhas comunitárias. Uma das principais lições que temos retirado é que a sustentabilidade de uma iniciativa social depende muito da existência de parcerias sólidas, da proximidade com as comunidades e de um sistema eficaz de monitorização e avaliação de resultados. A participação activa das comunidades e dos voluntários também tem sido um factor fundamental para o sucesso do projecto.

 

Como é que a parceria alinha as suas acções com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente no que toca à erradicação da pobreza, fome zero, saúde e educação de qualidade?

Os projectos “Sorrisos que Alimentam” e “Sorrisos que Cuidam” foram desenhados desde o início em alinha com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. De forma concreta, contribuem directamente para o ODS 1 – Erradicação da Pobreza, ao apoiar famílias em situação de vulnerabilidade; para o ODS 2 – Fome Zero, ao garantir acesso mensal em torno de 30.000 refeições nutritivas; e para o ODS 3 – Saúde de Qualidade, através da componente de rastreio nutricional infantil, desparasitação e acompanhamento clínico. Mas o impacto não se esgota aí. Indirectamente, os projectos também contribuem para o ODS 4 – Educação de Qualidade, uma vez que crianças com melhor estado nutricional têm maior probabilidade de frequentar e aproveitar o ensino.

Que indicadores de impacto e mecanismos de monitorização serão utilizados para medir os resultados dos projectos “Sorrisos que Alimentam” e “Sorrisos que Cuidam”? Já existem resultados observados até ao momento?

 Entre os principais indicadores de impacto estão o número de refeições distribuídas, o número de beneficiários atendidos, o funcionamento regular das cozinhas comunitárias, bem como indicadores de saúde e nutrição infantil, como peso, altura e evolução do estado nutricional das crianças acompanhadas.

Além dos dados quantitativos, também recolhemos testemunhos e evidências qualitativas das comunidades beneficiadas.

Como o projecto se encontra ainda numa fase inicial de implementação, os resultados mais consolidados serão apresentados nos relatórios de impacto previstos ao longo do ano, permitindo avaliar de forma rigorosa os efeitos da intervenção.

Leia a entrevista na íntegra em POC Notícias.

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