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Lembrando Sharpeville homenageia-se os palestinianos bombardeados em Gaza

Na África do Sul, grupos pró-palestinianos continuam a mobilizar-se para apoiar o povo de Gaza. A situação do povo palestiniano continua a ter um eco particularmente forte na nação arco-íris, frequentemente comparada ao apartheid.

A última acção solidária ocorreu ontem, domingo, dia 17, quando activistas e uma elementos de uma associação foram prestar homenagem às sepulturas das vítimas de um dos massacres mais traumáticos da história do país: o massacre de Sharpeville, em 1960.

Foi há quase 64 anos. A 21 de Março de 1960, milhares de habitantes de Sharpeville, uma cidade situada a 80 quilómetros de Joanesburgo, manifestavam-se pacificamente contra a política de passes, que obrigava os negros a serem portadores de determinados documentos de identidade para poderem circular, quando a polícia abriu fogo. Homens, mulheres, crianças, mais de 300 civis foram feridos ou mortos.

Este domingo, sob um sol abrasador, como dá conta uma reportagem da RFI, os cânticos de 80 jovens envolveram o cemitério da cidade. A seus pés, 69 campas traçam uma linha cujo fim não está à vista. São as vítimas do massacre perpetrado pela polícia do apartheid. “Vim agradecer a estas pessoas que estão aqui enterradas a liberdade que temos hoje, uma liberdade pela qual lutaram e que lhes devemos”, referiu um participante.

Para estes sul-africanos, esta recordação tem um eco no destino dos palestinianos de hoje, sujeitos aos bombardeamentos do exército israelita em resposta ao ataque do Hamas de 7 de Outubro de 2023. Rethabile Ratsomo, responsável pelo programa antirracismo da Fundação Ahmed-Kathrada, leva todos os anos jovens a Sharpeville, adianta à RFI. “O massacre de Sharpeville foi um momento muito importante da nossa história. Foi depois disso que a comunidade internacional começou a aperceber-se das atrocidades cometidas pelo regime do apartheid e a impor sanções. Por isso, queremos lembrar aos jovens que eles têm o poder de mudar o mundo.”

Muitos destes jovens, “nascidos livres”, como é conhecida a geração pós-apartheid, estão a descobrir uma parte da sua história e da história dos palestinianos. Tumelo, de 18 anos, está muito emocionado: “Espero que o que fizemos aqui sensibilize os habitantes de Gaza e mostre que não esquecemos os ícones da nossa libertação e que também não esquecemos os palestinianos.”

Refira-se que a data do massacre de Sharpeville é actualmente um feriado público na África do Sul, sendo um dia dedicado aos direitos humanos.

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