
Governo sul-africano promete mão dura contra ataques xenófobos
As autoridades sul-africanas prometeram, na última sexta-feira, dia 24, reprimir qualquer pessoa que leve a cabo ataques xenófobos contra ganeses e outros cidadãos estrangeiros, um dia depois de o Gana ter protestado devido a vídeos de incidentes violentos que circulam nas redes sociais.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, convocou na quinta-feira, dia 23, o enviado da África do Sul e apelou a uma “intervenção para evitar uma maior escalada.”
Activistas dos direitos dos migrantes afirmam que os estrangeiros têm sido transformados em bodes expiatórios pelas dificuldades económicas da maior potência africana.
Ablakwa manifestou preocupação com um incidente ocorrido na província sul-africana de KwaZulu-Natal, onde um cidadão ganês foi confrontado, instado a apresentar prova do seu estatuto legal e mandado embora para “ir arranjar o seu país”, segundo o seu Ministério na rede X.
As autoridades policiais da África do Sul declararam, em comunicado, que todos os que forem encontrados a participar ou a incitar actos xenófobos serão identificados, detidos e levados perante a justiça.
“Actos de ilegalidade, intimidação e violência contra comunidades migrantes não têm lugar na nossa democracia constitucional”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros sul-africano, Ronald Lamola, numa reunião de responsáveis governamentais.
A violência contra migrantes constitui uma ameaça à ordem constitucional da África do Sul, acrescentou Lamola. A polícia pediu aos líderes comunitários e aos grupos da sociedade civil que ajudem a prevenir novos ataques e a promover o diálogo.
Recorde-se que nas últimas semanas, os ataques de cariz xenófobo multiplicaram-se na África do Sul, sobretudo contra cidadãos de países vizinhos, como zimbabweanos, moçambicanos, malawianos e zambianos.