
CPLP tem de estar mais orientada para os negócios e criação de emprego, diz ministro moçambicano
O ministro defendeu ainda a necessidade de criar pequenos negócios mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas, considerando que a adaptação constitui um desafio cada vez mais relevante para as economias dos países da CPLP.
O ministro da Economia de Moçambique, Basílio Muhate, defendeu ontem, quinta-feira, 3 de Setembro, em Maputo, o reforço da cooperação económica entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como forma de criar novas oportunidades de negócio, promover a formalização da economia e fortalecer as pequenas e médias empresas.
O governante falava na abertura do IV Diálogo sobre Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, realizado no quadro das celebrações dos 30 anos da organização.
Para Basílio Muhate, os pequenos negócios e o empreendedorismo constituem a base das economias dos países da comunidade, tanto nas zonas urbanas como rurais. “Os pequenos negócios e o empreendedorismo são a espinha dorsal das nossas economias. Estão nas cidades e no campo. Fortalecê-los é fortalecer as famílias, fortalecer o emprego e as próprias economias dos nossos países, nas nossas comunidades, afirmou.
O ministro apelou igualmente ao sector empresarial da CPLP para contribuir para uma transformação da organização numa comunidade cada vez mais orientada para as oportunidades económicas, aproveitando os laços históricos, culturais e linguísticos existentes entre os Estados-membros.
Segundo Muhate, essa aproximação deve servir para impulsionar o comércio, o investimento e o desenvolvimento empresarial, bem como a criação de emprego, sobretudo entre os jovens.
“É neste contexto que consideramos importante aprofundar, no espaço da CPLP, soluções que facilitem a transição da informalidade para a formalidade e aproximem os pequenos negócios das oportunidades existentes nos nossos países”, declarou.
O governante defendeu uma CPLP mais próxima das populações e com uma intervenção prática na promoção do desenvolvimento económico. “Queremos uma CPLP viva, útil e próxima dos povos, que não se limita a celebrar aquilo que somos, mas que tenha coragem de construir aquilo que queremos ser no futuro”, acrescentou.
Língua portuguesa como instrumento económico
Basílio Muhate destacou a língua portuguesa como um dos principais instrumentos de aproximação entre os países-membros e como um factor capaz de facilitar as relações económicas e empresariais. “Que a língua que nos aproxima seja também a língua dos nossos negócios. Que a história que nos une seja também a força dos nossos projectos para o futuro e que a comunidade que construímos juntos se transforme cada vez mais numa comunidade de oportunidades para os nossos povos”, afirmou.
O ministro recordou que Moçambique continua a enfrentar o desafio de alcançar maior independência económica e apelou aos empresários dos países lusófonos a participarem nesse processo, transformando desafios comuns em oportunidades para as novas gerações.
“Queremos ajudar as nossas empresas a passar da sobrevivência ao crescimento, da informalidade à formalização e do mercado local às cadeias de valor nacionais, regionais e globais”, sublinhou.
Digitalização e mudanças climáticas
A transformação digital foi igualmente apontada como uma área estratégica para o futuro do empreendedorismo. Segundo Muhate, as novas tecnologias estão a reduzir distâncias e permitem às pequenas empresas aceder a mercados para além das fronteiras nacionais. “Se a nossa língua já atravessa continentes em segundos no espaço digital, devemos criar condições para que também as oportunidades e os negócios possam fazer o mesmo e ao mesmo ritmo”, afirmou.
O ministro defendeu ainda a necessidade de criar pequenos negócios mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas, considerando que a adaptação constitui um desafio cada vez mais relevante para as economias dos países da CPLP.
Empresas enfrentam desafios comuns
Por seu turno, o representante do sector empresarial da CPLP, Vinícius Lages, defendeu o reforço da cooperação e da partilha de experiências entre os Estados-membros como instrumentos para apoiar o desenvolvimento das pequenas e médias empresas.
“Temos muito que colaborar e aprender uns com os outros no desenho de políticas públicas, de implementação, de programas e de metodologias”, afirmou.
Lages considerou prioritário apoiar a transformação das pequenas e médias empresas, que representam uma parcela significativa do sector informal em vários países da comunidade.
Apesar das diferenças económicas e sociais entre os Estados-membros, o representante empresarial salientou a existência de desafios comuns, que tornam indispensável o diálogo e a cooperação.
O responsável enquadrou este esforço num contexto internacional marcado pelo agravamento dos desafios geopolíticos e geoeconómicos, defendendo uma maior articulação entre os países da CPLP para transformar dificuldades comuns em oportunidades de crescimento e desenvolvimento empresarial.