
Cimeira na Zâmbia cancelada após pressão da China para excluir ativistas de Taiwan
Os organizadores norte-americanos de uma conferência internacional sobre direitos humanos, na Zâmbia, cancelaram o evento a poucos dias do arranque, alegando que a China pressionou o país anfitrião a excluir activistas de Taiwan.
A organização Access Now, sediada em Nova Iorque, anunciou na sexta-feira à noite, dia 1, que cancelou a cimeira RightsCon, prevista para a próxima semana, depois de o Governo zambiano ter inicialmente anunciado o adiamento.
Em comunicado, a Access Now afirmou ter sido informada de que o Governo tinha sido pressionado pela China, “porque participantes da sociedade civil taiwanesa planeavam juntar-se presencialmente.”
Rejeitando qualquer tentativa de excluir delegados de Taiwan, a organização disse acreditar que “a interferência externa é a razão pela qual a RightsCon 2026 não avançará na Zâmbia.”
“O que o Governo pretendia de nós para levantar o adiamento foi-nos transmitido informalmente por várias fontes. Teríamos de moderar temas específicos e excluir comunidades em risco, incluindo os nossos participantes taiwaneses, da participação presencial e ‘online'”, relatou a organização.
O Governo da Zâmbia já tinha anunciado o adiamento da conferência, alegando necessitar de informações sobre os temas e tópicos em debate para garantir que estavam alinhados com os “valores nacionais, prioridades políticas e considerações de interesse público mais amplo” do país.
A Zâmbia mantém fortes laços políticos e económicos com a China, sobretudo através de interesses mineiros chineses no país, rico em recursos minerais.
A ministra dos Assuntos Digitais de Taiwan, Lin Yi-jing, afirmou hoje, numa publicação no Facebook, que o cancelamento da cimeira demonstra o desconforto da China face às “ideias de liberdade, democracia e Estado de direito que Taiwan e a RightsCon representam”.
A decisão do Governo zambiano surge apenas uma semana depois de Taiwan ter afirmado que Pequim interveio para impedir o Presidente taiwanês, Lai Ching-te, de visitar Essuatíni, na mesma região africana, a 22 de Abril.
A visita a Essuatíni – o único país africano que mantém relações diplomáticas formais com Taiwan – foi cancelada depois de Madagáscar, Maurícia e Seychelles terem sido pressionados pela China a retirar autorização para o sobrevoo do avião presidencial, segundo Taiwan.
Na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês elogiou a decisão dos três países e afirmou que a “adesão ao princípio de uma só China está em conformidade com o direito internacional”, mas o líder taiwanês anunciou ontem, dia 3, que tinha chegado a Essuatíni, deslocação que não tinha sido previamente anunciada.
A China reivindica Taiwan, governado de forma autónoma, como uma província dissidente, a ser reunificada pela força se necessário, e proíbe os países com os quais mantém relações diplomáticas de estabelecerem laços formais com Taipé.